background img

O Brasil pode sobreviver mais quatro anos?

Published at: By Luis R. Miranda

O Brasil vem vivendo em dois mundos paralelos nos últimos 16 anos. (Foto: abril.com.br)
Os brasileiros estão começando a sentir o aperto da segunda  administração Dilma Rousseff, o mais recente governo em um total de 4 em quase 16 anos de controle do PT.

PORTO ALEGRE - Mesmo as pessoas que são apolíticas ou que realmente não dão a mínima para a política agora estão falando sobre um inicio de ano não muito promisor.

A mais recente lista de medidas governamentais dá a razão aos brasileiros no inicio do segundo governo de Dilma Rousseff: aumentos de impostos, inflação fora de controle, aumento no preço dos serviços públicos, menos financiamento para a educação, taxas de juros mais elevadas e por último, mas não menos importante, o mais novo escândalo político na Petrobras.

Dadas as circunstâncias, o início de 2015 não parece muito bom.

O que acontece é que o Brasil vem vivendo em dois mundos paralelos nos últimos 16 anos. Em um deles, um mundo de fantasia, os políticos falam sobre as grandes realizações alcançadas sob o socialismo do PT.

No outro mundo, o verdadeiro, é o lugar onde os brasileiros tiveram mais aumentos de impostos, maior inflação, aumento no preço dos serviços públicos, menos financiamento para a educação,  taxas de juros mais altas, o colapso da infra-estrutura básica, piores serviços de saúde e assim por diante.

Depois de manter-se no poder na última eleição e sem nada a perder em seu segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff parece pronta para dizer como ela pretende governar.

Depois de ter a confiança de milhões de brasileiros, Dilma e o PT perderam a maioria dessa confiança nos últimos 5 anos, com escândalo após escândalo apontando para a liderança política como administradores de corrupção.

É a esta situação que Dilma precisa oferecer esperança, uma vez que parece que o início de 2015 só trouxe desilusão e medo de ter que lidar com um momento amargo de austeridade econômica.

Um país que, durante a última eleição foi dividido apenas por alguns milhões de votos, ainda não é um país dilacerado, mas está bem encaminhado para se tornar um. É o mesmo Brasil que o mundo conhecia antes da Copa das Confederações em 2013.

Aqueles que deram o seu voto para outros candidatos têm o mesmo sonho de aqueles que votaram de novo pelo PT: um país melhor para si e para seus futuros filhos. O problema é que o Partido dos Trabalhadores tem se recusado a trabalhar pelo país e por esse objetivo por quase 16 anos.

Pode ser uma divisão entre duas formas de governo, entre duas idéias políticas, mas ambos os blocos sociais, os partidários de políticas neoliberais e aqueles que preferem o socialismo querem mudar o Brasil de hoje pelo Brasil do século 21, o mesmo que Lula e Dilma anunciaram há alguns anos, mas que nunca chegou.

Os brasileiros parecem estar cansados da corrupção, da hipocrisia, da mediocridade e da falta de ética que não deve ser a regra, porque eles confiaram em seus líderes para trabalhar de uma forma diferente.

Brasileiros de ambos os lados pensam o mesmo sobre a corrupção política, a deslealdade, os abusos de poder e a falta de participação da sociedade civil noo governo.

Dilma precisa entender que ela agora está governando para um público cada vez mais informado cujos números aumentam diariamente. Mais pessoas lêem de forma diferente, não com as lentes da apatia política e do conformismo.

Cada novo presidente, a partir de agora, terá maior dificuldade para governar porque os brasileiros despertaram de um longo sono e, ao fazê-lo, não aceitam passivamente as ordens pois adquiriram maior capacidade para monitorar seus governantes.

Pode ser mais difícil e complexo para os governantes. Neste caso, para Dilma, nos próximos quatro anos, ela vai ser observada por uma oposição política mais ativa com a qual ela tem que viver sem estigmatizá-la.

A líder de 200 milhões de brasileiros tem a tarefa e a obrigação de tomar decisões que são consistentes com as promessas de campanha e ser capaz de corrigir os erros que negaram uma vitória mais ampla.

A pergunta é: Será que ela vai fazer isso? Será que ela pode? Infelizmente, a resposta a estas duas perguntas é não. A presidente não pode e não vai acabar com a corrupção, a desigualdade e a injustiça, quando ela participa da corrupção, da desigualdade e da injustiça e quando sua ética tem sido comprometida.

Embora a sabedoria comum diz que não deve ser difícil governar um país onde tudo o que as pessoas querem é ser amadas, reconhecidas pela sua dignidade e respeitadas, nenhuma figura política que tomou parte no escândalo do Mensalão ou a extorsão na Petrobras tem a posição política ou moral para fazer o trabalho bem feito.

Além dos escândalos políticos, os brasileiros têm que lidar com a crise econômica iminente causada pela pobre gestão dos dinheiros públicos, uma infra-estrutura em colapso, o crescimento da pobreza, uma moeda fortemente desvalorizada, um salário mínimo insuficiente e a acumulação acelerada de riqueza nas mãos das elites políticas e econômicas.

A sociedade brasileira satisfeita com pouco e feliz de seguir o seu “jeitinho” está morrendo. O que está emergindo é um país mais exigente, talvez menos cordial e ainda mais violento, mas mais moderno e realista.

Talvez o renomado antropólogo Roberto da Matta, que desvendou como poucos as idiossincrasias do brasileiro, que se divide entre a casa e a rua, fala sobre a nova sociedade que está surgindo, onde muitas portas e janelas estão entrando em colapso. “Os brasileiros encontraram uma nova maneira de viver, usando as redes sociais para serem mais políticos, as pessoas começam a ser mais políticas e a fazer mais política do que nos gabinetes da Presidência.”

O Brasil está começando a andar, mas ainda na ponta dos pés, caminhando em direção a novas formas de modernidade que assustam a velha guarda. Dilma vai governar estes quatro anos com sua orelha e cabeça colada aos anseios dos novos brasileiros.

Hoje, a elite política sabe que os brasileiros estão conscientes de sua escravidão pelos governos democraticamente eleitos. A questão é, então, será que as elites políticas e econômicas entendem o que significa essa consciência?

Brasil abriu 2015 com a inauguração de Dilma Rousseff como presidente, que será o quarto mandato consecutivo do Partido dos Trabalhadores (PT), a mais longa da democracia brasileira.

Em seu discurso de posse em Brasília, Dilma defendeu sua política e disse que continuará abrindo espaço para ganhos sociais e mais responsabilidade econômica.

“Nós vamos provar que você pode fazer ajustes na economia sem perder os direitos adquiridos“, disse ela depois do passeio cerimonial em um Rolls Royce conversível que a levou ao Congresso.

Ela poderia ter mostrado os contrastes entre o que diz e o que faz de forma mais clara andando de Rolls Royce e avisando sobre ajustes econômicos?

Rousseff passou os primeiros minutos de seu discurso falando sobre a recente transformação social do país que, segundo ela, tem resgatado 36 milhões de pessoas da pobreza extrema“, especialmente durante as administrações do seu partido.

A crença de Dilma é que é aceitável que existam pessoas em situação de pobreza e que, enquanto eles estão em situação de pobreza e não em pobreza extrema, isso significa que as coisas estão melhores.

No meu primeiro mandato superamos a pobreza extrema. Vivemos a primeira geração de brasileiros que não sofreu a tragédia da fome. Nunca antes existem tantos empregos formais. Nunca antes tantos brasileiros tornaram-se proprietários de casas, disse a presidente sob os aplausos de seus convidados.

A realidade está, no entanto, longe do discurso político de Dilma. Os políticos vivem em um mundo de fantasia paralelo, lembra? Enquanto Dilma se elogia e elogia o seu partido pelo que ela considera grandes realizações, sob as linhas de pobreza internacionais, o número de pobres no Brasil chega a 7%, que é aproximandamente 14 milhões de pessoas que vivem com menos de 2 dólares por dia. Em 2013, quase 15% dos brasileiros viviam abaixo da linha nacional de pobreza no Brasil.

O discurso da Dilma continuou a reafirmar a nova direção econômica que o país seguirá depois que seu discurso confirmou a seleção do banqueiro Joaquim Levy como novo Ministro das Finanças.

Como já informamos em 2014, Levy é um ex-gerente de ativos do conglomerado bancário Bradesco. “Ele é um defensor do neoliberalismo ortodoxo, tendo ganho um PhD na Universidade de Chicago, a mesma instituição na qual formou-se o ex-ditador chileno Augusto Pinochet“, escreve Bill Van Auken, um jornalista, ativista e político.

As promessas de austeridade e ajustes têm despertado a ira dos eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT), que não acham que Levy seja o campeão de seus ideais econômicos socialistas.

“A presidente conhece o Levy muito bem. Se ela o escolheu é porque ela sabe da necessidade de uma nova abordagem“, defendeu o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci.

Um dos principais desafios para Rousseff é melhorar as condições econômicas através da recuperação da economia, do comércio internacional e da política fiscal sem criar despesas desnecessárias.

Em um país onde o governo controla quase tudo, vai ser muito mais difícil cortar gastos desnecessários, a menos que o governo acabe com milhares de CCs ou cargos de confiança, cujos titulares ganham três ou quatro vezes mais do que aqueles que são pagos o salário mínimo.

As contas, no entanto, não serão a única preocupação de Rousseff. A presidente de 67 anos começou seu segundo mandato com um PT dividido, uma máfia política enfraquecida por alegações que prejudicam a imagem e ações - ou inações - vistas no escândalo Petrobras.

A suspeita de que a rede corrupta desvia dinheiro e suborna funcionários do governo agora é bem conhecida, pois é de conhecimento público que tais esquemas de corrupção foram estabelecidos durante a administração Lula da Silva e Dilma Rousseff para beneficiar seus aliados políticos.

Como qualquer outro político, a presidente anunciou em seu discurso a criação de um novo pacote de leis para combater a corrupção. Isso é exatamente o que os políticos que não sabem nada sobre como governar fazem: criam mais burocracia para lidar com a corrupção que decorre de estruturas burocráticas existentes.

Será que o Brasil pode sobreviver mais quatro anos?

Luis Miranda é um jornalista premiado e fundador e editor-chefe do The Real Agenda News. Durante seus 18 anos de carreira jornalísitica ele trabalhou em quase todas as formas de mídia. Seus artigos incluem temas como o ambientalismo, a Agenda 21, a mudança climática, a geopolítica, a globalização, a saúde, as vacinas, a segurança alimentar, o controle corporativo dos governos, imigração e os cartéis bancários, entre outros. Luis trabalhou como repórter e apresentador de programas de notícias ao vivo. Ele também trabalhou como roteirista, produtor e co-produtor de notícias.

Fonte: Real Agenda  

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Curta-nos no Facebook Siga-nos no Twitter Assine os Feeds Entre em contato