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Transgênicos - Quem são os donos das sementes?

Documentário Sementes da Liberdade
Embora não percebamos ou saibamos, consumimos inúmeros alimentos geneticamente modificados. Mas as preocupações vão além da discussão sobre a segurança destes produtos. Estamos indo em direção a uma época em que teremos de pagar para uma empresa para termos o direito de plantar nossa própria comida.

O documentário “Sementes da Liberdade” traz à tona uma nova polêmica que está além daquela que questionava se os alimentos transgênicos ou geneticamente modificados, fazem ou não mal à saúde humana. A nova polêmica diz respeito a pergunta: “quem são os donos das sementes?”

A agricultura é o berço da Humanidade

Antigamente podia-se pegar as sementes que uma planta gerava e plantá-las em outro lugar, cuidar de seu crescimento, regá-las e colhê-las. A isto chamamos de Agricultura e este foi, depois da descoberta do fogo, o ponto central de desenvolvimento do que hoje chamamos de Humanidade.

Este processo foi utilizado por milhares de anos e até hoje está presente, mesmo dentro de nossas casas. Qual mãe ou avó nunca plantou um hortinha no quintal de casa ou mudou uma planta de um vaso para outro? Um agricultor pode colher e guardar, em seu galpão, sementes das plantas que ele mesmo plantou, para utilizá-las no plantio da próxima estação. Em princípio o preço por este processo, ou seja, o quanto devemos à natureza, é basicamente nossa força de trabalho. As sementes são generosamente desenvolvidas por ela.

Mas com o advento da Agricultura não tivemos apenas soluções. Como tudo na vida os problemas também surgiram e um deles foram as pragas.

Mais comida? Mais agrotóxico

A Agricultura, com o passar do tempo, exigia que maiores espaços fossem dedicados a uma mesma cultura. Isto, por um lado, facilitava o seu manejo e a colheita, mas, por outro, dificulta a diversidade de espécies em certas regiões. Isto fez com que a diversidade de plantas e animais, que antes equilibravam o ambiente, desaparecessem.

Imagine uma larva que se alimenta de uma espécie de milho. Como antes este milho ficava em meio a outras plantas isto tornava mais provável que pássaros ou outros insetos que viviam ali comessem esta larva, controlando sua proliferação. Assim o próprio ambiente equilibrava tudo que estava a sua volta.

Mas com as extensas monoculturas, aumentando cada vez mais suas áreas, este equilíbio foi afetado, fazendo com que a humanidade passasse a procurar novos métodos de controle para não perder suas plantações ou as tornar menos rentáveis. Dentre estes métodos o que se expandiu em maior escala foram os defensivos agrícolas ou agrotóxicos, que agora fazem o trabalho que antes era do ambiente em torno. Um exemplo das consequências do uso de agrotóxicos pode ser vista nesta reportagem do Globo Rural clicando aqui.

Porém o documentário "Sementes da Liberdade" traz a tona um segundo motivo para tal expansão.

Trocar um problema por outro. Os transgênicos

Com o desenvolvimento da engenharia genética surge um novo ramo que pretendia ‘eliminar’ os agrotóxicos, fazendo com que as próprias plantas eliminassem as pragas que as atacavam. Estas plantas passaram a ser chamadas de geneticamente modificadas ou transgênicas.

A grande polêmica é que, ao criar uma destas plantas, geneticamente modificadas ou transgênicas, suas sementes ganham patentes, patentes estas que pertencem a mega empresas do ramo. Isto faz com que, não só uma planta, mas aquela espécie geneticamente modificada passe a ser uma propriedade destas empresas.

O que isto implica então? Implica que para plantá-las deve-se pagar à empresa, mesmo que você não tenha adquirido a semente diretamente desta ou daquela. Isto pode parecer algo absurdo, “imagina que vão ficar cobrando este tipo de coisa” afirmaria alguém. Ações na justiça norte americana contra agricultores dizem claramente que isto não só poderia, como está acontecendo neste exato momento.
Quem são os donos das sementes?

Um dos casos retratados no documentário, um agricultor do Canadá que sempre plantou sementes que ele mesmo estocava por gerações, mostra bem este aspecto sombrio.

Em um certo ano uma plantação vizinha contaminou suas sementes com os genes modificados de uma empresa. O agricultor foi processado por utilização das sementes sem haver pago à empresa. Este cenário, em minha opinião, é perigosíssimo porque nos coloca completamente a mercê de corporações sem escrupulos para ganhar dinheiro e pode destruir ou enfraquecer muito gerações de famílias que vivem da terra.

Então a discussão já nem mais é tão técnica quanto a questão dos transgênicos fazerem ou não mal à saúde (apesar deste debate ainda ser atual), é algo mais palpável, que pode ser medido muito mais diretamente, é a questão do direito sobre poder plantar e colher. Estamos falando das pessoas serem obrigadas a pagar à alguém para terem o direito de plantar em sua própria terra, com suas prórias mãos e sem qualquer tipo de benefício, mas tão somente pelas patentes envolvidas.

Assista ao documentário abaixo, tire suas conclusões e comente!




Referências:

Autor
Daniel Pereira Formado em Física / Astrofísica pela Universidade de São Paulo. Fez cursos nas faculdades de Filosofia, Geologia e Matemática na Universidade de São Paulo. Fez cursos na área de artes plásticas e história da arte no Centro Cultural São Paulo. Também frequentou o curso de Introdução a Psicanálise pelo Instituto Sedes Sapientiae. Atua na área de tecnologia e web desenvolvendo soluções voltadas para várias áreas do conhecimento, incluindo pesquisa com redes sociais. Atualmente atua para um grande portal de notícias.
 
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Um comentário: Leave Your Comments

  1. Quando eu comecei a escrever sobre "A semente transgênica do Evangelho" em 2006, eu imaginava um semeador do evangelho da verdade comparado com a industria religiosa automatizada de hoje. Hoje eles, os evangelistas transgênicos são iguais a Monsanto, tem o copyright da igreja e da semente, da tv e do radio, da livraria e da editora, das bíblias e das revistas, dos jornais e dos informativos. Hoje o semeador virou uma máquina para ganhar dinheiro para a igreja dele e para ele, e os agricultores continuam pobres e devendo aos grandes donos das marcas de sementes.

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