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Fantasma do 'Volta, Lula' ganha força no PT; partido analisa cenário

Imagem: Nacho Doce / Reuters
O resultado das pesquisas de intenção de voto do Ibope e do Datafolha, que serão divulgadas nesta quarta-feira, 3, pode trazer de volta, num último ímpeto, o fantasma do “Volta, Lula”, ameaçando a candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição.

Até o dia 15 de setembro, o PT poderia trocar de candidato, substituindo Dilma pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E como se aproxima o prazo final dado pela legislação para uma troca de candidatos, em caso de renúncia, parcela da cúpula petista, além de boa parte dos militantes do “chão de fábrica”, pode fazer uma última investida no acalentado desejo de ver Lula concorrer à eleição presidencial.

Esse movimento voltou à ativa depois das últimas pesquisas Datafolha e Ibope, em particular a que mostrou Marina Silva, do PSB, empatada com Dilma na simulação do primeiro turno e vencendo com vantagem de dez pontos porcentuais num eventual segundo turno.

As pesquisas que serão divulgadas amanhã são cruciais.

Primeiro, porque elas medirão o impacto das duas primeiras semanas de propaganda eleitoral na TV e no rádio, período considerado suficiente para aferir a escolha do eleitor que estava indeciso ou que, porventura, iria anular seu voto.

Segundo, porque mostrarão se a tendência do forte ganho de Marina no apoio de eleitores consolidou-se ou se houve um desgaste com as recentes polêmicas envolvendo a candidatura do PSB, entre elas as acusações de uso de caixa dois para financiar o jato que transportava o ex-candidato Eduardo Campos; os ganhos com palestras proferidas por Marina nos últimos três anos; e os recuos dela no seu programa de governo, em particular aos direitos dos movimentos LGBT.

“Para setores do PT, só a volta do Lula salvaria a eleição para o partido neste momento”, diz o cientista político e professor do Insper, Carlos Melo.

Assim, faz sentido se setores do PT, via alguma instituição ou sindicato ligado ao partido, tivessem contratado pesquisas qualitativas para medir o potencial do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva num cenário de embate direto com Marina Silva.

“O PT já tem medido a capacidade de Lula em atrair voto, mas ainda não mensurou essa capacidade numa disputa direta com a candidata do PSB”, argumenta Melo. Diante da proximidade do prazo legal para se fazer a troca de candidato, agora é o momento para realizar tal pesquisa e, dependendo do resultado, conseguir pressionar o partido inteiro por uma troca, diz ele.

Para os analistas da consultoria política Arko Advice, em relatório a clientes, os defensores do “Volta Lula”, ainda em minoria, acreditam que essa é a única forma de reverter o risco de derrota.

“A sensação no PT é de que é preciso fazer ‘algo grande’, pois se Dilma perder, o maior derrotado será Lula”, afirmam os analistas da Arko Advice.

Para eles, o ex-presidente tem grande prestígio junto ao eleitorado e deixou o governo com aprovação elevadíssima. Lula também conta com o apoio do setor empresarial, entidades sindicais e mercado financeiro, acrescentam.

“O problema é que mesmo a substituição de Dilma por Lula não necessariamente mudaria o quadro”, dizem os analistas da Arko Advice.

Na opinião de Carlos Melo, do Insper, a troca de candidatos do PT ainda tem como obstáculo o próprio Lula.

“Lula não se arriscaria a substituir Dilma se as pesquisas qualitativas mostrarem que ele também perderia para Marina”, afirma Melo. “Assim, o PT manteria a candidatura de Dilma em dois cenários: se a vitória dela for certa ou se a derrota dela ou de Lula frente a Marina for inevitável.”

Outro inconveniente a ser enfrentado por Lula numa eventual troca é que o ex-presidente foi ao programa eleitoral na TV do partido garantindo ao eleitor que Dilma faria um segundo mandato melhor do que o primeiro.

Ou seja, como evitar o desgaste – e também o uso político por seus adversários – junto ao eleitorado se Lula tentar salvar o PT de uma percepção de derrota pelo comando do País, substituindo Dilma, sem conseguir passar a impressão de fracasso do governo que ele endossou em 2010?

De qualquer forma, lembra a Arko Advice em nota a seus clientes, até o prazo final da troca, “Dilma terá que conviver com esse fantasma. Mais um elemento perturbador justamente num momento crucial para sua campanha.”

Se os resultados das pesquisas Ibope e Datafolha mostrarem, por acaso, uma liderança de Marina ainda no primeiro turno e uma vantagem maior num eventual segundo turno frente a Dilma, o fantasma do “Volta, Lula” rondará o PT com força.

Fábio Alves
Estadão
Editado por Folha Política

Fonte:Folha Política

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