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Coreia do Norte usa a fome para controlar a população

Reprodução/thesundaytimes.co.uk
Coreia do Norte enfrenta acusações de canibalismo devido à fome no país

Relatos aterrorizantes de norte-coreanos devorando pessoas para saciar a fome — em alguns casos os próprios filhos — tomaram conta do noticiário internacional nos últimos dias. As informações expõem o desastre humanitário pelo qual o país oriental pode estar enfrentando.

Os primeiros relatos foram publicados no último domingo (27) pelo diário britânico The Sunday Times. O jornal compilou o trabalho de repórteres independentes que foram enviados à Coreia do Norte pela agência de notícias Asia Press, com sede em Osaka, no Japão.

A Asia Press informa que possui uma rede dos chamados “jornalistas-cidadãos” dentro da Coreia do Norte. Os “citizen journalists” (termo em inglês) são pessoas comuns que atuam como jornalistas, coletando informações e produzindo notícias.

De acordo com a reportagem do Sunday Times, um homem foi recentemente fuzilado no país por ter matado e devorado seus dois filhos, no que foi descrito como um "ataque de fome".

O diário informa ainda que a fome teria matado cerca de 10 mil pessoas no país somente em 2012.

Outras histórias similares foram descritas pelos jornalistas-cidadãos. Em um dos casos, um senhor desenterrou o próprio neto e canibalizou o corpo da criança para não morrer de fome.

Uma terceira pessoa, “enlouquecida pela fome”, diz o jornal, ferveu o próprio filho para se alimentar.

As dezenas de entrevistas e relatórios coletados levaram a Asia Press a concluir que, somente em 2012, mais de 10 mil pessoas morreram por causa da fome no país comandado por Kim Jong-un.

A agência de notícias asiática compilou um relatório de 12 páginas com os relatos de canibalismo no país.

Um membro da empresa comentou a situação norte-coreana.

— É particularmente chocante os numerosos testemunhos que nos atingem sobre os casos de canibalismo.

ONU: “Coreia do Norte usa a fome para controlar a população”


A Organização das Nações Unidas detalhou os crimes contra a humanidade que as autoridades da Coreia do Norte (encabeçadas por três gerações dos Kim) perpetraram nas últimas seis décadas. Uma comissão escutou durante o último ano os horripilantes depoimentos em sessões públicas de 80 norte-coreanos desertores e sobreviventes de campos de prisioneiros políticos em Seul, Tóquio, Londres e Washington. O presidente da comissão, o juiz australiano Michael Kirby, lembrou como depois da Segunda Guerra Mundial muitos espantaram, ao se conhecer as atrocidades do nazismo, “Se soubesse, o que ocorria”. “Agora, a comunidade internacional sabe. Saberá. Não há desculpa para não atuar porque não sabíamos”.

A ONU detalha casos concretos das penúrias dos presos em campos de trabalho (por exemplo, famílias inteiras consideradas hostis porque um parente tentou fugir ao sul anos atrás), de gente que mataram de fome, de execuções públicas ou secretas, de sequestros, de desaparecimentos, torturas... Os autores acusam as autoridades norte-coreanas de utilizar "a fome para controlar a população".

O relatório de 400 páginas, apresentado em Genebra nesta manhã, solicita ao Conselho de Segurança que leve as acusações para o Tribunal Penal Internacional. Os especialistas ponderam, no entanto, que é provável que China, o grande aliado de Pyongyang, exerça seu direito ao veto. O relatório será apresentado oficialmente à Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas em Genebra dentro de um mês.

Durante as últimas décadas foram se conhecendo detalhes sobre as atrocidades sistemáticas que o regime dos Kim perpetrou contra seu povo. Eram depoimentos recolhidos por ONGs, ativistas de direitos humanos ou especialistas entre os que fogem do país. A diferença nesta ocasião é que a investigação conta com o aval das Nações Unidas. De todo modo, o juiz Kirby lembrou que a comissão "não é um tribunal nem uma promotoria".

Referencias: Folha de S. Paulo , O Globo

Fontes: R7 , Brasil El País

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