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Dilma deve se preocupar com a segurança dos seus cidadãos, e não a Internet

Posted at: By Luis R. Miranda

Vamos esquecer de uma Constituição para a Internet ou de como devem ser roteados os cabos de fibra óptica para tirar o controle dos Estados Unidos. O que os brasileiros realmente precisam é que o governo garanta a segurança dos seus cidadãos.

Se o governo liderado por Dilma Rousseff prestasse a metade da atenção que dá à Internet em questões como a pobreza, segurança, política fiscal e corrupção, o Brasil não precisaria se preocupar com a segurança na Internet.

Nem o governo de Dilma, nem o de seu antecessor, Luis Inácio “Lula” da Silva mostraram capacidade para lidar com os problemas mais básicos que afetam o povo brasileiro. Enquanto mendigos inundam as ruas de qualquer metrópole, enquanto o crime aumenta fora de controle e, enquanto o tráfico de drogas se torna mais prevalente, o governo em Brasília passa a maior parte do seu tempo se preocupando com os preparativos para a Copa do Mundo e as Olimpíadas em 2016.

Brasil deixou de ser o “país do futuro” para se transformar no pais que estava destinado a ser antes que o capital estrangeiro começara a fluir para o país. Este capital estrangeiro agora começou a sair do Brasil devido à incompetência do governo, à ignorância deliberada no gerenciamento dos negócios e à corrupção desenfreada que corre nas veias da política brasileira.

Um exemplo desse tipo de corrupção é que, se há alguns meses os brasileiros tinham alguma esperança de que os autores do esquema Mensalão estavam em seu caminho para a prisão, hoje, a realidade é outra. Agora, não está claro se algum daqueles que foram julgados e culpados de uma variedade de crimes por parte do Supremo Tribunal Federal vão passar mais do que alguns meses na prisão.

Se no início do mandato de Dilma Rousseff os brasileiros acreditavam que ela iria fazer a diferença para alcançar o objetivo de transformar o Brasil em uma nação de primeiro mundo, muitos crentes têm visto a sua esperança se transformar em frustração. Depois de quase quatro anos do governo Dilma, o Brasil é ainda mais pobre, mais corrupto e menos seguro.

Nem os cinco anos que se passaram desde o início do projeto criado para supostamente pacificar as favelas, nem os planos criados em torno da celebração dos dois maiores eventos esportivos do planeta têm feito muito para ajudar na eliminação da violência no Rio de Janeiro, por exemplo, embora a cidade seja a sede dos Jogos Olímpicos em 2016.

De fato, o suposto esforço do governo para acalmar a violência é tal fracasso, que nos últimos dias, soldados do Exército foram vistos patrulhando as ruas e centros comerciais em pequenas cidades localizadas perto de cidades-sede da Copa do Mundo. Militarizar o país não é apenas um exemplo da incapacidade para garantir a segurança, mas também é uma medida desesperada para mostrar que uma administração sem noção nenhuma sobre segurança quer controlar a maior ameaça para a estabilidade do Brasil e sua ordem pública.

O poder das gangues tem sido enfraquecido consideravelmente nos últimos anos, diz o governo, mas, como alguns especialistas alertam, as principais facções criminosas têm se entrincheirado em áreas periféricas e de essas posições estratégicas estão agora vendendo drogas nas favelas, bem como bairros nobres. A última erupção dessa violência ocorreu terça-feira em uma favela localizada no coração do Rio de Janeiro.

Em outras regiões do país, policiais mascarados assaltam bairros pobres em busca de armas e drogas, mas, como a história e a experiência têm demonstrado, esta é apenas uma medida reativa infrutífera.

Depois que a polícia e equipes de operações especiais atacam e limpam um bairro, mais armas e drogas fluem para uma nova área da periferia e o crime simplesmente toma um novo endereço nos milhares de favelas pobres de todo o país.

No Brasil, os políticos e policiais ainda acreditam que a resposta para o crime é a força e a violência. Mesmo nisso, os traficantes sabem mais do que o governo. Parte da razão pela qual o governo brasileiro não pode lidar com questões de segurança é porque uma grande parte da sua força policial também é extremamente corrupta.

A Polícia Militar, por exemplo, que é o braço mais forte contra o crime, é conhecida por ser corrupta até a medula. Em muitos aspectos, pedir para a Policia Militar combater o crime é como pedir para uma raposa vigiar o galinheiro.

No Rio, as alegações de abuso e morte de civis que não têm nada a ver com grupos de tráfico de drogas ocorrem semanalmente, enquanto o governo do estado lança operações policiais na suposta tentativa de caçar criminosos.

O relaxamento idílico pelo qual os brasileiros são conhecidos parece ter diminuído um pouco agora que o país é instado a responder às alegações de insegurança e corrupção. No entanto, os políticos brasileiros continuam a mostrar incapacidade para resolver a questão mais urgente [segurança], enquanto a Copa do Mundo de 2014 esta prestes a começar.

O Brasil está de fato em num ponto crítico e existem dois fatores que fazem com que este ponto seja delicado. Primeiro, as pessoas que vivem em favelas, que acumulam grande ressentimento para com uma sociedade indiferente, e os políticos que permitiram que o crime e a morte se espalhassem, continuam a se ver como cidadãos de segunda classe.

Na verdade, o sucesso das gangues aqui no Brasil surgiu como uma consequência da ‘simbiose’ que essas gangues forjaram com os mais pobres dos pobres. Os traficantes que controlam as favelas e muitas outras áreas no Brasil preencheram um vácuo que o governo nunca se importou de preencher.

Estimulados pelos movimentos de protesto que se espalharam por todo o Brasil desde junho do ano passado e reforçados pela presença maciça da mídia mundial, os moradores dos subúrbios estão agora se manifestando com mais raiva e frequentemente tomam as ruas para brigar contra a policia atirando pedras e coquetéis molotov, enquanto acusam a polícia militar de violar os seus direitos.

Este cenário só pode piorar à medida que a Copa do Mundo se aproxima. Manifestantes advertiram em 2013 que eles iriam voltar para as ruas em 2014. O governo e a Polícia Militar já anunciaram suas medidas para lidar com quem não estiver feliz com o governo por ter usado bilhões de reais para construir estádios no lugar de construir hospitais ou investir em educação.

O segundo fator é que, apesar da repressão do governo em algumas das cidades mais populares em todo o país, as cidades-sede da Copa do Mundo estão agora sob um período de calma tensa que antecede o torneio de futebol. Uma vez visto como o maior exemplo de entretenimento, festa e diversidade cultural, a praia de Copacabana entrou em um clima de medo devido ao aumento da criminalidade, tiroteios policiais e ao aparecimento de células narco antigas e novas. Entre elas o Comando Vermelho (CV), uma organização que opera de uma favela no Rio de Janeiro.

Os índices de criminalidade aumentaram no ano passado em grande parte do Brasil, mas especialmente em cidades importantes como o Rio, onde apesar de aumentar a atividade policial, os cidadãos sentem que estão sendo envolvidos pela sombra escura de uma máfia criminosa fora de controle. “Estamos em um ano eleitoral e não vamos tomar decisões importantes. É claro que a UPP está em crise, que os crimes estão crescendo e que os avanços dos últimos anos estão em perigo agora”, diz o sociólogo Ignácio Cano.

As estatísticas apresentadas nos últimos oito anos pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro lançam números alarmantes: o estado registrou 35.879 assassinatos neste período. Mensalmente acontecem mais de 500 homicídios causados pela violência sem fim. As estatísticas não consideram mais de 38.000 pessoas desaparecidas e mais de 31.000 tentativas de homicídio adicionais.

Em outros estados do país, onde as cidades também vão sediar jogos da Copa do Mundo, crimes menos graves, mas não por isso menos desagradáveis, ainda acontecem. Roubos de carro por homens armados e tráfico de drogas fazem parte da vida de milhões de brasileiros que moram fora das grandes cidades consideradas como os troféus brilhantes onde o governo parece estar dedicando a maior parte de seu esforço para conter a violência.

Parece haver algo muito errado nos planos criados pela administração Rousseff. Porem, a presidenta e seus assessores parecem muito convencidos sobre o sucesso da sua “Copa das Copas”, o nome dado pelo governo de Dilma Rousseff para o evento que começa no próximo dia 12 de junho no estado de São Paulo.

Mas para aqueles que vêem a realidade de fora da bolha otimista do governo, as coisas podem ficar muito pior, e esse resultado não depende de política ou de segurança, mas do sucesso da seleção brasileira de futebol.

“Sabendo como a população brasileira se comporta em tempos de Copa do Mundo, podemos esperar um aumento da agitação social se forem eliminados prematuramente. Se o Brasil acaba ganhando, a euforia coletiva vai sufocar qualquer possibilidade de protesto”, diz Cano, confirmando assim que o futebol e o ópio do povo brasileiro.

Mas antes que a seleção brasileira seja eliminada ou coroada campeã, há outra ressalva que poderia fazer o barril de pólvora explodir. A presidente Dilma Rousseff prometeu silenciar protestos populares. Até agora, apesar de alguns confrontos entre a polícia e manifestantes, nenhuma das brigas resultou em violência significativa, mas, enquanto a Copa do Mundo se aproxima, os protestos tendem a aumentar e a polícia terá que lidar com duas frentes: gangues criminosas e marés de cidadãos inconformados na rua.

Fonte: Real Agenda

Um comentário: Leave Your Comments

  1. QUERO VER O CIRCO PEGAR FOGO E OS BOMBEIROS ESTEJAM DE GREVE!!!!

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