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OGM e leucemia

Contrários aos OGM, os Organismos Geneticamente Modificados?

Nem por isso.
Na verdade acho que ninguém pode estar contra os OGM, simplesmente porque estes fazem parte das nossas vidas há séculos.

O pão de todos os dias, por exemplo, é feito com farinha que foi seleccionada pelos agricultores, num processo que durou várias gerações, com cruzamentos de espécies, sucessos e falhanços.

Coisa que não pode ser dita pelos OGM industriais, como os da Monsanto, por exemplo.
Neste caso, o lucro fala mais alto e as consequências são produtos que deixam, no mínimo, com muitas dúvidas. É aqui que começam os problemas.

Por exemplo: não era suficiente o estudo da equipa de Seralini, que havia mostrado como ratos alimentados com alimentos geneticamente modificados desenvolvessem tumores. Agora, um outro estudo publicado no Journal of Hematology & Thromboembolic Diseases (Jornal de Hematologia e Doenças Tromboembólicas) indica que a toxina manipulada pelo engenheiros genéticos, contida nos cereais e conhecida como Bacillus thuringensis (Bt), pode contribuir para anomalias do sangue, tais como anemia, cancros hemáticos malignos, leucemia.

Um grupo de pesquisadores do Departamento de Genética e Morfologia do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília tem avaliado a toxicidade e a patogenicidade deste agente, uma vez que muito pouco se sabe sobre os efeitos nos organismos não-alvo da manipulação (por exemplo, os consumidores finais do produto manipulado).

Com o advento da tecnologia que recombina, os genes que produzem esta toxina foram inseridos em plantas para uso comercial, entrando na normal cadeia alimentar nos Estados Unidos, onde é permitido o cultivo de OGM. O estudo concluiu que a toxina Bt é capaz de induzir alterações nas células vermelhas do sangue, o que causa danos significativos, e que podem suprimir a proliferação da medula espinal, criando comportamentos anormais dos linfócitos compatíveis com a leucemia.

O estudo também constatou que:

  • a toxina em causa revela os seus efeitos prejudiciais mesmo quando estiver suspensa em água destilada e não necessita de alcalinização, como anteriormente era pensado.
  • que mesmo a menor dose testada (27 mg/kg) pode induzir anemia hipocrômica. A toxina foi detectada no sangue de mulheres não-grávidas, mulheres grávidas e nos fetos, no Canadá, uma contaminação provavelmente devida à exposição à comida (no Canadá também há grandes áreas cultivadas com OGM).
  • a toxina parece acumular-se nos tecidos e persiste no meio ambiente.
  • altas doses desta toxina induzem alterações no sangue, um sinal de danos na medula óssea.

No entanto, apesar do crescente número de evidências acerca do perigo representado pelos OGM, os governos continuam a sofrer as tremendas pressões das multinacionais biotecnologicas e raramente conseguem resistir.

Ipse dixit.

Fontes: Journal of Hematology (ficheiro Pdf, inglês), Il Cambiamento , Informação Incorrecta

Um comentário: Leave Your Comments

  1. Caro, acho que é preciso um pouco mais de cautela ao tirar conclusões abrangentes a todos os OGMs a partir da dados, algumas vezes muito ruins, gerados para uma variedade ou uma proteína. O trabalho do Séralini que você menciona era mesmo muito ruim e não foi retirado pela revista por pressão da Monsanto, mas por fata de consistência cientifica. Para uma análise histórica deste artigo, e links para sua avaliação pelos pares, leia http://genpeace.blogspot.com.br/2013/11/sepultando-um-zumbi-o-artigo-cientifico.html

    Em relação ao estudo de Brasília, ele nos parece falho em muitos aspectos, Há também uma avaliação em http://genpeace.blogspot.com.br/2013/06/failure-to-demonstrate-any-harm-from.html.

    O fato é que o aumento de câncer e leucemia está relacionado fortemente aos hábitos de vida e ao aumento da idade média da população. A leucemia, particularmente, é um nome para doenças bastante diversas e as generalizações são, assim, perigosas, sobretudo quando se tenta atribuir uma relação causal tão estrita como o consumo de OGMs (qualquer um?) e as leucemias.

    Cordialmente,
    Paulo Andrade
    Depto. Genética/ UFPE

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