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Dioxina: O assassino das gerações futuras

Ela é hoje considerada a mais violenta substância criada pelo homem, com seu grau de periculosidade ultrapassando tanto o urânio quanto o plutônio. Pior do que isto, compondo uma família de 200 membros, as dioxinas estão totalmente fora de controle no meio ambiente. Sua geração – produzida por moléculas de cloro submetidas a altíssimas temperaturas onde há matéria orgânica – abrange um espectro que vai dos processos de branqueamento de papel até a incineração de lixo, passando pela queima de PVC e de tinta, ou ainda, pelos agrotóxicos.

 Entre seus males está o extermínio das defesas naturais do corpo – numa sintomática contemporaneidade com a AIDS – o surgimento de diversos tipos de câncer e a teratogenia, ou seja, a propriedade de produzir seres de aspecto monstruoso. Ainda não tendo este nome, as dioxinas já haviam contaminado operários nos Estados Unidos, na Alemanha e noutros pontos que a literatura restrita de alguns cientistas documentara. Ocultas nas moléculas de ácido acético, elas foram cruéis armas de guerra norte-americanas no Vietnã.
Créditos :merciobasso

Vietnã e o Agente Laranja

O Agente laranja é uma mistura de dois herbicidas: o 2,4-D e o 2,4,5-T. Foi usado como desfolhante pelo exército norte-americano na Guerra do Vietnã. Ambos os constituintes do Agente Laranja tiveram uso na agricultura, principalmente o 2,4-D vendido até hoje em produtos como o Tordon. Por questões de negligência e pressa para utilização, durante a Guerra do Vietnã, foi produzido com inadequada purificação, apresentando teores elevados de um subproduto cancerígeno da síntese do 2,4,5-T: a dioxina tetraclorodibenzodioxina. Este resíduo não é normalmente encontrado nos produtos comerciais que incluem estes dois ingredientes, mas marcou para sempre o nome do Agente Laranja, cujo uso deixou sequelas terríveis na população daquele país e nos próprios soldados norte-americanos.


A Guerra do Vietnã terminou em 1975, mas o flagelo causado pela contaminação provocada por um herbicida chamado agente laranja ainda não terminou.

"Os danos causados pelo agente laranja são muito mais graves do que qualquer um imaginava na época em que a guerra acabou", disse Nguyen Trong Nhan, vice-presidente da Associação Vietnamita de Vítimas do Agente Laranja (Vava).

Milhões de galões de agente laranja foram despejados pelos Estados Unidos no Vietnã entre 1962 e 1970. O herbicida visava desfolhar a floresta e, assim, evidenciar esconderijos de guerrilheiros vietnamitas.

O agente laranja contém um dos mais fortes venenos existentes, uma variação da dioxina chamada TCCD. Após desfolhar a floresta, a dioxina espalhava sua toxina pela cadeia alimentar - o que teria gerado vários defeitos de nascença.

Segundo Nguyen Trong Nhan, o uso do agente laranja "foi uma pesada violação de direitos humanos da população civil e uma arma de destruição em massa".

Mas desde o fim da Guerra do Vietnã, Washington vem negando qualquer responsabilidade legal ou moral pelo legado tóxico que o agente laranja deixou no Vietnã.

Em janeiro de 2004, três vietnamitas, alegando terem sido vítimas de crimes de guerra, iniciaram um processo judicial contra a Monsanto, a Dow Chemicals e oito outras empresas multinacionais que usaram agente laranja e outros desfolhantes.

Defeitos de nascença

Na pequena comunidade de Cu Chi, que foi pesadamente atingida pelo agente laranja, a família de Tran Anh Kiet, de 21 anos, enfrenta os problemas do dia-a-dia.

Seus pés e mãos são deformados. Ele se contorce, com evidente dificuldade de locomoção e suas tentativas de falar se restringem a tristes grunhidos.

Kiet tem de ser alimentado com colher. Ele é um adulto preso no corpo de um menino de 15, com a idade mental de uma criança de seis. Ele é o que a população de seu vilarejo chama de um bebê do agente laranja.

No Vietnã, existem outras 150 mil crianças como ele, cujos defeitos de nascença, segundo a Cruz Vermelha vietnamita, podem ser rastreados até a exposição ao agente laranja que seus pais sofreram durante a guerra ou pelo consumo de comida ou água contaminada por dioxina desde 1975.

A associação Vava estima que 3 milhões de vietnamitas foram expostos ao agente químico durante a guerra e que, destes, 1 milhão enfrentam hoje sérios problemas de saúde devido à exposição.

Alguns destes são veteranos da guerra, que foram expostos às "nuvens químicas" durante o conflito. Muitos são fazendeiros que viviam da terra que foi atingida pelo herbicida. O agente laranja também atingiu uma segunda e uma terceira geração, afetadas pela exposição sofrida por seus pais.

Muitas das vítimas vivem em ex-bases militares americanas, como Bien Hoa, onde o agente laranja era estocado em grandes quantidades.

Arnold Scheiter, um americano especialista em contaminação por dioxina, examinou o solo da região em 2003 descobriu que ele continha um nível de TCDD 180 milhões acima do nível considerado seguro pela agência de proteção ambiental americana.

-- Fonte: BBC, por Tom Fawthorp, no distrito de Cu Chi, Vietnã.

Em Seveso, na Itália, em 1976 – quando finalmente foi nominada – sua nuvem ultratóxica matou 50 mil animais e e fez o Vaticano autorizar mais de dois mil abortos, para pouco depois, no estado de Baden- Wurttemberg, na Alemanha, colocar a cidade de Rastatt na apocalíptica situação de ter de trocar seu próprio solo. Todos estes acontecimentos, porém, são casos localizados, famosos, extremos e de ultraenvenenamento concentrado.

Na verdade, as invisíveis dioxinas, que têm a propriedade de se acumular por décadas nos tecidos adiposos do organismo, estão sendo lançadas de modo contínuo em rios, mares, solos e ar.

Elas são os mortais detritos de todo um modelo industrial e de consumo que, por um lado, encobre a origem dos bens que produz e, por outro, ignora o conteúdo e o destino de seu lixo. Um sistema que, enfim, viabiliza-se na mesma proporção em que agride o meio ambiente, do qual o ser humano decididamente não pode ser subtraído. Não há meios diretos de combater as dioxinas, mas é possível inibir seus processos de formação, como vem sendo feito em alguns países do Hemisfério Norte. A estratégia número um nesta luta é questionar radicalmente a alienação da sociedade de consumo.

Exemplo, já foi medido no leite europeu vendido comercialmente. Mas, numa paisagem descontrolada, fica difícil saber se a dioxina encontrada proveio da forragem que alimentou a vaca ou do papel que embalou o produto final. Talvez estivesse em ambos, talvez esteja em quase tudo.


Há 20 anos os incineradores na Alemanha eram tidos e havidos como solução ecológica para a montanha de lixo produzida diariamente pelos seus habitantes. Estas usinas agora revelam-se poderosas fábricas de partículas letais, a ponto de se presumir, como divulgou o governo da Baviera, que 1/3 das dioxinas passíveis de detecção na Alemanha venha da incineração, prática que anualmente adiciona até 400 gramas deste microscópico pó no meio ambiente – o que já é considerado insuportável. Na Suécia, o governo apela, atônito, para que as mães, com o leite contaminado, sumariamente deixem de amamentar os bebês a partir do terceiro mês.

 Entidades ambientalistas, como o Greenpeace inglês, têm deflagrado combate implacável ao consumo de papel não-reciclável e branqueado com cloro. As indústrias reagem, buscando alternativas amigas do meio ambiente, na expressão do marketing ecológico.

O peróxido de hidrogênio (água oxigenada), substituindo o cloro, tem sido saudado como uma solução confiável para o branqueamento da celulose, principalmente na Escandinávia. No caso das denúncias à cloração do papel, estas bandeiras, somadas a demandas resultantes da conscientização de parte da população, inclusive já estabeleceram uma linha de produtos pardos, onde podem ser listados papéis higiênicos, guardanapos, filtros para café, fraldas descartáveis, absorventes femininos e uma infinidade de outros itens. Isto não chega a modificar hábitos de consumo, mas reduz extensões no reinado branco, que a publicidade sintomaticamente associou, nas últimas duas décadas, à maior assepsia.

No Brasil, o assunto dioxina é praticamente desconhecido. Vaga, a informação transita entre alguns técnicos e ecologistas, ou então por setores da indústria que, exportando, submetem-se a legislações ambientais mais rigorosas. Os países do Hemisfério Norte, entretanto, principalmente a Alemanha, a Inglaterra e os escandinavos, estão amedrontados. A se confirmarem seus temores, suas sociedades estão tomadas de dioxinas, pós finíssimos gerados, acima de tudo, pelo próprio padrão de vida e consumo que estabeleceram e propagaram – e que boa parte do mundo restante cultua e busca copiar.

O mais grave é que, na maioria dos casos, é difícil até mapear a procedência das partículas. O branqueamento de papel gera dioxina, mas na própria celulose não processada seus rastros já foram flagrados. Este ultraveneno, por exemplo, já foi medido no leite europeu vendido comercialmente.

Mas, numa paisagem descontrolada, fica difícil saber se a dioxina encontrada proveio da forragem que alimentou a vaca ou do papel que embalou o produto final. Talvez estivesse em ambos, talvez esteja em quase tudo. Há 20 anos os incineradores na Alemanha eram tidos e havidos como solução ecológica para a montanha de lixo produzida diariamente pelos seus habitantes. Estas usinas agora revelam-se poderosas fábricas de partículas letais, a ponto de se presumir, como divulgou o governo da Baviera, que 1/3 das dioxinas passíveis de detecção na Alemanha venha da incineração, prática que anualmente adiciona até 400 gramas deste microscópico pó no meio ambiente – o que já é considerado insuportável.

Na Suécia, o governo apela, atônito, para que as mães, com o leite contaminado, sumariamente deixem de amamentar os bebês a partir do terceiro mês. Entidades ambientalistas, como o Greenpeace inglês, têm deflagrado combate implacável ao consumo de papel não-reciclável e branqueado com cloro. As indústrias reagem, buscando alternativas amigas do meio ambiente, na expressão do marketing ecológico.

 O peróxido de hidrogênio (água oxigenada), substituindo o cloro, tem sido saudado como uma solução confiável para o branqueamento da celulose, principalmente na Escandinávia. No caso da denúncias à cloração do papel, estas bandeiras, somadas a demandas resultantes da conscientização de parte da população, inclusive já estabeleceram uma linha de produtos pardos, onde podem ser listados papéis higiênicos, guardanapos, filtros para café, fraldas descartáveis, absorventes femininos e uma infinidade de outros itens. Isto não chega a modificar hábitos de consumo, mas reduz extensões no reinado branco, que a publicidade sintomaticamente associou, nas últimas duas décadas, à maior assepsia.

Grande parte deste material é de impossível reciclagem. Carbonos, folhas de fax, papéis lustrosos, plastificados e envelopes com janelas plásticas são apenas alguns descartáveis normalmente relacionados. De uma maneira geral a própria reciclagem de papel é muito restrita, embora sua prática resultasse inclusive na contenção de crescentes monoculturas de árvores que alteram ecossistemas e destinam-se exclusivamente à voracidade de uma sociedade obcecada por embalagens, invólucros e uma montanha de papéis tão brancos como, muitas vezes, desnecessários. A bomba-relógio biológica contida nas dioxinas, desta forma, está longe de ser controlada pela simples reversão de alguns processos fabris. O que necessita urgentemente ser revisado é a concepção de vida e consumo que fundamenta própria sociedade industrial. Fontes produtoras – As dioxinas derivam de reações em moléculas de cloro expostas à grande pressão e temperatura em ambientes fartos de matéria orgânica.

As indústrias de celulose, no caso, expõem a altas temperaturas matéria orgânica e várias substâncias químicas, com destaque para o cloro. Por isto elas hoje são consideradas, ao lado das usinas de incineração de lixo, grandes produtoras de dioxinas. O problema, contudo, tem inúmeras fontes. Esses ultravenenos estão em larga escala no triclorofenol, usado, o que também vale para o di, o tetra e o pentaclorofenol, como matéria-prima para obtenção de corantes, cosméticos, produtos farmacêuticos, agrotóxicos, conservantes de madeira e tintas, entre tantas outras utilidades. Dioxinas também estão na queima de PVC e no ascarel (PCB), que antigamente se usava em refrigeração e que hoje é um lixo, acondicionado em galões, do qual o planeta inteiro não sabe como se livrar. Outra fonte, pouco identificada como tal, é o BHC (pó-de-gafanhoto), organoclorado usado na agricultura. O pó chegou a ser saudado como eficiente soldado contra a malária e a doença-de-chagas. O Instituto Adolfo Lutz inclusive observou que, num período de 18 meses após a aplicação, o BHC crescia em eficiência.

Hoje, desconfia-se que este desempenho tenha a ver com sua transformação em dioxina – o que pode ocorrer até pela incidência de raios ultra-violeta. Sobre tolerabilidade – O grande debate hoje envolvendo estas partículas dá-se, aparentemente, no plano quantitativo. Uma indústria que não produz sequer um grama de dioxina por ano tem sólidos argumentos para não chamar a si a responsabilidade sobre o ultraenvenenamento do planeta. Ter idéia do que é um grama – a milésima parte do quilo – não é algo muito distante da compreensão média de qualquer pessoa. Até o miligrama, exigindo um pouco mais, pode ser visualizado, ao menos por um público relativamente acostumado com pesos e medidas.

Entretanto, as dioxinas são moléculas que transitam na escala dos nanogramas, nada mais nada menos do que a bilionésima parte do grama – algo além das mais privilegiada imaginação. Talvez uma maneira prática de um nanograma ser visto é dimensioná-lo comparativamente com uma tampa de caneta Bic. A tampa vermelha pesa um grama (a azul é mais leve), e um nanograma seria exatamente a bilionésima parte desta peça ...

O que está por trás da questão, entretanto, é muito mais sutil do que a ultraprecisão de algumas balanças pode aquilatar. A alegação industrial fundamenta-se na individualização do problema. Nós liberamos dioxinas dentro do limite permitido, dizem as empresas envolvidas. Os níveis aceitáveis, porém, são valores artificiais. Não se pode, por exemplo, submeter um ser humano a doses periódicas de dioxina, para saber o que ele pode ou não ingerir disto.

É preciso questionar, ainda, qual o padrão orgânico ideal para avaliar o ser humano? Crianças, idosos, ricos, pobres, brancos, amarelos, pretos, norte-americanos, brasileiros, etc. por contingências imagináveis têm variantes orgânicas infinitas. Mesmo entre as cobaias de laboratório estas variações são comuns. Ratos, por exemplo, são dez vezes mais resistentes que porquinhos-da-índia – embora nenhum deles tolere a ultratoxicidade das dioxinas. O argumento compartimentado das indústrias, o fato de considerarem apenas seus efluentes, contrapõem-se a uma tendência e a uma urgência dos tempos atuais, definida como visão sistêmica da realidade ou, numa linguagem mais específica, visão holística. Adequando ao assunto, olhar sistematicamente a questão das dioxinas é compreender que através de ínfimos nanogramas produzidos por fontes específicas, estamos contraindo uma dívida de sobrevivência coletiva que as gerações futuras não terão possibilidades de pagar.

Muito pouco se sabe sobre dioxinas, além de aderem e se acumularam na gordura, destroem o sistema imunológico, causam câncer e atuam nos cromossomos. Nada se sabe, por exemplo, dos efeitos sinérgicos no meio ambiente. Deter os processos que levam à sua produção, seja em que quantidade for, parece a atitude mais sensata, na medida em que o mundo não pode ser encarado como um laboratório de pesquisas sobre tolerabilidade. ATRÁS DA SUBSTÂNCIA X Antes de 1976 as dioxinas ainda não tinham este nome. No início da década de 40, nos Estados Unidos, 50 empregados de uma empresa de triclorofenol ficaram com suas peles empipocadas, depois de um acidente industrial.

Desconhecendo o assunto, técnicos chamaram um detrito resultante do triclorofenol, responsável pelas pústulas, de substância x. Na Alemanha, em 1953, 42 funcionários da BASF em Ludwigshafen, pelos mesmos motivos sofreram severos danos no fígado, desordens no sistema nervoso e cloroacne – como acabou batizada a moléstia cutânea, crônica, causada pelo cloro. A parte da indústria onde houve problemas acabou sendo destruída em 1968, com seu entulho guardado em caixas à prova de ar e enterrado em salinas. Também na Alemanha, em 1956, trabalhadores da indústria química Boehringer-Ingelheimer, em Hamburgo, foram parar no hospital.

Novamente, a ponta do iceberg eram cloroacnes. Para a população, por anos a fio os resíduos da Boehringer, aliados a partículas lançadas por um incinerador, foram mais catastróficos: bebês nasceram sem cérebros, como olhos cíclopes, sem narizes, com lábios leporinos e, inclusive, com trombas na testa. Produtora de ácido acético (matriz da dioxina usada pelos norte-americanos no Vietnã), a Boehringer foi fechada em 1984.

Foi a soma da cloroacne com todas estas teratogenias que começou a mostrar a relação entre estes acidentes industriais – que na verdade diretamente compõem centenas de casos e milhares de vítimas – e a apocalíptica ação química dos Estados Unidos na guerra do Vietnã. Também neste país asiático as peles ficaram empipocadas e mães deram à luz bebês com cabeças gigantes, sem braços e portadores de outras monstruosidades.

A substância X começava a ser cercada. Contudo, foi preciso mais meia dúzia de anos para que, explodindo na caldeira de uma fábrica de cosméticos no norte da Itália, as evidências fossem inegáveis. Seveso – O famoso acidente nesta cidade do norte da Itália ocorreu numa indústria do Grupo Givaudan, pertencente à Hoffmannn-La Roche. A empresa, chamada ICMESA, produzia hexaclorofeno, que no Brasil chegou a ser o principal apelo comercial de um listrado dentifrício. No início de julho de 1976 a pressão de uma caldeira da fábrica subiu descontroladamente. A válvula de segurança deixou escapar uma nuvem que durante quatro dias, sem pânico, pairou sobre Seveso.

Quando baixou dissiminou cloroacne, matou 5o mil animais, obrigou 7 mil pessoas a procurarem novo lugar para viver e chegou a fazer o Vaticano autorizar abortos coletivos que, com a catástrofe atingindo outras cidades vizinhas, ultrapassaram 2 mi casos. Na verdade, o hexaclorofeno transformara-se (devido à pressão e à temperatura da caldeira) em dois quilos de 2, 3, 7, 8 tetracloro-dibenzo-para-dioxina (TCDD), considerada a mais violenta substância que a humanidade até hoje foi capaz de criar. A partir de Seveso, a família das dioxinas e seus parentes, os furanos, foram detectados. O passo seguinte foi sair à caça de todas as suas possíveis fontes.

O estágio atual deste empreendimento é atemorizante: as dioxinas, transitando na sua escala de nanogramas, são passíveis de produção numa grande quantidade de atividades da sociedade industrial, o que justifica o gigantesco peso que o assunto vem tendo, ao menos no Hemisfério Norte. FAMÍLIA NUMEROSA – São 200 isômeros entre dioxinas e furanos As dibenzo-para-dioxinas policloradas (PCDD) e os dibenzofuranos policlorados (PCDF), ou simplesmente “dioxinas” e “furanos”, são duas séries de compostos com ligações tricíclicas aromatizadas, involuntariamente sintetizadas de forma plana, com características físicas, biológicas, químicas e ultratóxicas semelhantes.

Os átomos de cloro se ligam nestes compostos criando possibilidades de um grande número de isômeros – 75 para a dioxina e 135 para os furanos. Estes isômeros, também chamados congêneres, são compostos derivados de uma mesma classe química, possuindo igual fórmula, mas com átomos em posições diferentes. Por exemplo, o grupo homólogo do tetracloro-dibenzo-para-dioxina tem 22 isômeros. A posição do átomo de cloro (Cl) na molécula dá sua especificidade, assinalada por números.

A diferença entre dioxinas e furanos é que as primeiras – com dois oxigênios, contra um só dos furanos – correspondem a moléculas mais fixas. Os furanos, por sua estrutura, têm mais possibilidade de giro, permitindo maior número de isômeros, confoátomos de cloro se ligam nestes compostos criando possibilidades de um grande número de isômeros.



Fontes: Liberte Sua Mente  , Renato Bariani

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