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Uncanny Valley: O abismo entre o real e a simulação

(Fonte da imagem: Reprodução/BBC)
 Postado por André VicenteComo vamos encarar o futuro da robótica e das simulações virtuais com máquinas cada vez mais humanas?

Pode parecer coisa de filme de ficção científica, mas existe grande chance de nosso planeta ser povoado por robôs em um futuro não tão distante.

Muitos estudiosos encaram essa visão de tempos vindouros como algo positivo, afinal os robôs estão em desenvolvimento para que um dia possam auxiliar — e interagir com — os humanos.

Entretanto, há uma teoria de longa data que sugere uma possível reação negativa por parte da mente humana. De acordo com a hipótese do professor Masahiro Mori, essa verossimilhança dos robôs pode provocar estranheza às pessoas.


(Fonte da imagem: Divulgação/Jorge Jimenez)
Em seu primeiro esboço — na década de 1970 — sobre o assunto, Mori usou uma expressão japonesa que foi traduzida como Uncanny Valley (Vale da Estranheza). Neste artigo, vamos falar sobre os atuais estudos neste campo e se a relação entre humanos e robôs será realmente comprometida pelo medo da mente humana.

Uncanny o quê?

Antes de entrarmos de cabeça no assunto, vamos dar uma pincelada sobre as ideias propostas por Mori. A primeira coisa que devemos esclarecer é que todo esse assunto não passa de simples sugestões que podem vir a se tornar realidade, mas as conjecturas do estudioso não possuem bases suficientes para compor uma teoria completa.

Agora, vamos entender o porquê do nome “Uncanny Valley”. Conforme informação do site Popular Mechanics, a proposta de Masahiro Mori é baseada em uma curva (que tem forma semelhante à de um vale) que reflete nosso senso de familiaridade com simulações e robôs.

Segundo a hipótese inicial de Mori, no futuro (que estamos vivendo) os humanos vão apresentar respostas muito positivas aos robôs. No entanto, em um determinado ponto, quando percebermos as grandes diferenças entre o real e o robótico, uma estranheza súbita provoca uma queda nessa curva da familiaridade.
(Fonte da imagem: Reprodução/NVIDIA)
Com o passar do tempo, a evolução dos robôs (ou das animações) mostra avanços suficientes para nos convencer de que estamos lidando com humanos — mesmo sabendo que são criações da robótica e da computação. Isso resulta em uma segunda reação positiva, que completa o vale da estranheza.

Evitando semelhanças

Tendo essas ideias como base, vamos a alguns exemplos. Se você costuma assistir a filmes de animação, como os produzidos pela Pixar, deve ter reparado que, mesmo possuindo alto poder de tecnologia, a empresa busca manter seus projetos em um estilo mais parecido com o dos desenhos animados.

É interessante notar que alguns estúdios nunca deram muita bola para a questão da simulação gráfica e da representação de personagens. Basicamente, as empresas buscam formas simplificadas e de boa qualidade que possam representar bem os roteiros e as ideais propostas.

Contudo, ao longo dos últimos 15 anos, algumas empresas começaram a explorar mais as possibilidades tecnológicas nesta área para produzir material visual de qualidade gráfica elevada para criar animações que beiram a perfeição. O primeiro desses projetos foi realizado pela Square Pictures, a qual desenvolveu o filme “Final Fantasy: The Spirits Within”.
(Fonte da imagem: Divulgação/Quantic Dream)
Conforme lembra o site BBC, na época de seu lançamento Final Fantasy não impressionou muito e causou estranheza no público. Parte dessa repulsa involuntária foi resultado da grande discrepância de visuais entre o que se tinha na época e o que foi apresentado no filme. Hoje, todavia, a animação é considerada como uma das mais fantásticas em nível de fotorrealismo.

Essa foi uma lição para diversos estúdios, os quais perceberam que o uso de gráficos avançados não era necessariamente uma boa ideia. Hoje, o público anseia por filmes com belíssimos visuais, nos quais as diferenças entre o virtual e o real sejam mínimas. Tal mudança de reação leva a crer que os humanos se adaptam rapidamente e corrobora a hipótese da Uncanny Valley.

Com a robótica pode ser diferente

Atualmente, não temos robôs com aparência e ações tão idênticas às dos humanos. Entretanto, com o passar dos anos, presenciaremos a evolução dessas máquinas e, tão logo isso ocorra, há grandes chances de percebermos melhor o efeito do “Vale da Estranheza”.

De acordo com Andrew Olney, da Universidade de Memphis, o contato com os robôs pode parecer natural em um primeiro momento, mas os instintos básicos nos afastarão deles. Um androide pode ser quase idêntico a uma pessoa, porém um simples aperto de mão é suficiente para que alguém perceba que o “suposto humano” tem mão de borracha.
(Fonte da imagem: Reprodução/BBC)
E não é somente isso. As imperfeições nas ações dos robôs também deverão causar incômodo aos humanos. Quando duas pessoas interagem, há um feedback entre elas e o diálogo é funcional. Com uma máquina, todas as ações estão condicionadas às situações programadas no software. São esses pequenos detalhes que nos afastarão dos robôs no começo.

Todavia, se tomarmos a hipótese da Uncanny Valley como verdade, tão logo os robôs evoluam, iremos nos adaptar novamente e sentir familiaridade com os movimentos e elementos que tentam imitar os nossos.

Estudos sem conclusões definitivas

É curioso que não há uma conclusão sobre o assunto. Segundo o que David Hanson disse ao TED Talks, em seu estudo (realizado no Texas), 73% dos participantes não mostraram estranhamento a robôs semelhantes a humanos. Já no estudo de Edward Schneider, feito em Nova York, muitas pessoas não sentiram familiaridade com alguns personagens de video game.
(Fonte da imagem: Divulgação/Jorge Jimenez)
Apesar das contradições, há um estudo interessante realizado na Nova Zelândia, caso em que o pesquisador Christoph Bartneck relata que o tal vale pode na verdade ser um abismo. Para ele, enquanto os robôs não atingirem a perfeição, os humanos continuarão mostrando estranheza e receio no contato. E como levará muito tempo para que a robótica chegue a tal nível, um “abismo de estranheza” seria mais lógico.

Quem sabe, a robótica realmente não consiga nos impressionar tão cedo, mas a tendência é que os jogos (como The Last of Us e os novos títulos de altíssima qualidade que vem aí) e os filmes (como
“Avatar” e outros tantos que usam a computação gráfica) cheguem a tal ponto que possam nos enganar perfeitamente. A tech demo da NVIDIA talvez seja o que temos de mais próximo da realidade:



Referência: TecMundo
Fontes: Popular Mechanics, BBC, TED Talks, Polygon , O Mensageiro do Fim

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