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BNDES injeta Bilhões na Rede Globo e desperta reações negativas

O BNDES, maior banco de fomento do País, anunciou na terça-feira 12 a operação de capitalização da Globocabo, principal empresa nacional de tevê por assinatura, que carrega uma dívida de R$ 1,6 bilhão, dos quais R$ 514 milhões vencem já em 2002. A companhia terá um aporte de R$ 1 bilhão. Dos cofres do banco virão R$ 284 milhões. Nesse negócio, há alguns fatos que merecem ser analisados:

• Embora tenha apenas 4,8% das ações da Globocabo, o banco decidiu oficialmente entrar com 28,4% dos recursos do aumento de capital. Só que a conta real sobe para 40,8%, pois uma parcela de R$ 305 milhões que deveria sair da Globo, maior acionista da empresa, não vem em dinheiro. Trata-se de uma manobra contábil. A Globo tinha em seu balanço esse valor contabilizado a título de expectativas de ganhos futuros da Globocabo. Foi isso o que se transferiu à operadora de tevê por assinatura.

• A Globocabo anunciou em 2001 um prejuízo de R$ 700 milhões. Foi a sétima perda em sete anos consecutivos. Em toda a sua história, a empresa só teve lucro em um trimestre e, mesmo assim, de
R$ 1,4 milhão. No ano passado, mais uma vez, a base de clientes caiu. Passou de 1,47 milhão para 1,28 milhão.

• O BNDES não possui qualquer política de financiamento destinada a empresas de mídia. A Bandeirantes e o SBT já tentaram obter recursos e receberam a informação de que o banco não opera nesse setor. A Globocabo não é exatamente do ramo de comunicação, mas sua controladora é.

• O Brasil está há seis meses das eleições.

Diante dos fatos que ocorreram, as reações, naturalmente, foram negativas. A Bandeirantes escalou seu vice-presidente, Antônio Teles, para comentar a operação. “Por que o BNDES tem que socorrer uma empresa insolvente?”, indagou. “É um escárnio e um espanto que isso tenha acontecido a poucos meses das eleições”. Na Abril, que concorre diretamente com a Globo no mercado de tevê por assinatura, a primeira reação do presidente Roberto Civita foi a seguinte: “Se for assim, eu também quero.” O Bispo Rodrigues, coordenador da bancada evangélica na Câmara dos Deputados e dos interesses da Record, foi duro. “Por que a sociedade deve emprestar tanto dinheiro a uma empresa privada?”

O BNDES logo tratou de defender a operação, mas deixou dúvidas. Seu presidente, Eleazar Carvalho, que um dia antes do anúncio havia dito que o banco não é “hospital de empresas”, afirmou que a injeção de recursos foi a única forma de preservar o que BNDES já investiu na Globocabo. Mas de acordo com a consultoria Economática, o valor de mercado da Globocabo é hoje de R$ 1,8 bilhão. Os 4,8% do BNDES, portanto, valeriam menos de R$ 90 milhões. Para preservá-los, o banco ofereceu R$ 284 milhões à Globocabo. O mercado financeiro também reagiu mal. As ações da empresa caíram 9,8% um dia depois do anúncio da operação e já acumulam um tombo de 60% em um ano. “Os indicadores da Globocabo são piores do que os das outras empresas de tevê por assinatura que atuam no Brasil”, disse à DINHEIRO Matthieu Coppet, analista do banco suíço UBS em Nova York.

Apenas como comparação, é interessante perceber o comportamento de um outro acionista, que tem uma parcela maior do que o BNDES na Globocabo. A Microsoft, com 7,5% da empresa, já decidiu que não entrará no aumento de capital. Deixará sua participação acionária ser diluída. Comenta-se, no mercado financeiro, que a avaliação da Microsoft, que pertence a Bill Gates, o homem mais rico do mundo, é que a Globocabo não tem mais como prosperar. A associação só interessou enquanto se imaginou que haveria sinergias entre o negócio de tevê a cabo e a internet.

O diretor-geral da Globocabo, Luiz Antônio Viana, diz que ainda não há uma destinação definida para o aporte de R$ 1 bilhão. Segundo ele, nem tudo será usado para pagar as dívidas. “O dinheiro não será carimbado”, afirmou. “É uma montanha de dinheiro e pretendemos comer este elefante aos bifes.”

Fontes: Isto é , Revelação Final

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