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Construindo um Futuro Comum Parte1: Torcendo a Fé, a Economia e as Finanças em uma Nova Ordem Global

Forcing Change, Edição 6, Volume 3.

Em 2007, a Forcing Change publicou um artigo intitulado "Uma Moeda Única Para um Mundo Unificado", que delineou o cenário de uma crise financeira mundial e a solução da moeda global. Anteriormente naquele ano, o artigo "Pagando Pela Governança Global: As Ideias Para a Instituição de um Imposto Mundial" delineou os esquemas propostos para a imposição de um tributo global. Isto está agora no noticiário diário.

Em 2008, a FC publicou um relatório especial sobre a criação do Banco do Sul em preparação para a integração dos países da América do Sul. Em junho de 2008, um artigo importante intitulado "O Colapso Financeiro Global: O Que Você Precisa Saber e Como se Proteger" detalhou o abalo financeiro iminente e como a situação refletia os problemas fundamentais na economia. Três meses mais tarde a crise econômica estourou seriamente e estamos lidando com os efeitos dela desde então.

Agora, em meados de 2009, a Forcing Change está publicando dois artigos interconectados que explicam quais serão os próximos lances: uma estrutura regulatória internacional que nocauteará a soberania econômica nacional, e uma diretiva espiritual/social que desafiará diretamente a cosmovisão cristã sob os auspícios da crise econômica. No fim do segundo artigo você também encontrará uma sugestão estrutural de como a nova arquitetura financeira internacional poderá ser organizada.

Em outras palavras, esta edição examinará os próximos movimentos nesta dança econômica global. Instruindo-se sobre os próximos passos que serão dados, você conseguirá compreender melhor como as cadeiras serão remanejadas no salão de baile. Esta edição contém dois relatórios vitalmente importantes sobre dois movimentos econômicos interligados. O primeiro artigo, da autora convidada Joan Veon, faz um mergulho profundo no Banco de Compensações Internacionais (BIS) e investiga a incrível tomada de poder que ocorrerá por meio do controle do BIS sobre o sistema regulatório global.

Não pense que este assunto seja árido. Controlando o sistema regulatório internacional, o BIS literalmente assumirá o comando. Os governos nacionais, os bancos centrais, as Comissões de Valores Mobiliários, e até as seguradoras terão de aderir às determinações desse autoindicado mandachuva do setor bancário. Os efeitos não serão observáveis imediatamente, mas sentiremos as repercussões de forma gradual, à medida que nossos governos nacionais buscarem a aprovação do BIS antes de buscarem a aprovação do eleitorado.

O segundo artigo, intitulado "Construindo um Futuro Comum", analisa uma recente conferência da ONU sobre a crise econômica mundial. O que deixará você chocado não é a discussão sobre as medidas financeiras internacionais, mas a gigantesca mudança social e de comportamento que está sendo prevista — sistematicamente forçando-o a deixar de ser uma pessoa independente e com lealdades ao seu país para se tornar um cidadão global com novas obrigações internacionais.

No fim do artigo você encontrará uma lista das mudanças sociais e econômicas esperadas como resultados da crise global. Vale a pena ler e reler essa seção e refletir sobre ela à medida que a crise continuar.

Fazendo isto, você terá uma melhor compreensão dos desafios de cosmovisão que confrontarão você, sua igreja e sua comunidade.

A leitura desta edição poderá ser considerada pesada para alguns. Entretanto, este é o custo mental e emocional de tentar compreender as forças que estão mudando nossa cultura. O custo de não tentar compreender é muito maior: confusão, dúvida, conflitos de cosmovisão internos e externos e o potencial de ser atropelado por este trem veloz chamado "globalização".

Nota do Editor: A Forcing Change gostaria de dar as boas-vindas a Joan Veon, e agradecer a ela por permitir a publicação deste seu importante artigo.

Joan Veon é uma mulher de negócios e uma repórter internacional. Desde 1994, ela já cobriu mais de 100 encontros globais em todo o mundo e constantemente monitora e analisa os muitos movimentos e agendas que dirigem a comunidade internacional. Ela publica um boletim financeiro baseado em suas pesquisas e é autora de The United Nations Global Straightjacket (A Camisa de Força Global das Nações Unidas) e Prince Charles: The Sustainable Prince (Príncipe Charles: O Príncipe Sustentável). Ela também já lançou diversos vídeos e relatórios especializados sobre assuntos internacionais, sobre o sistema financeiro internacional, os movimentos cambiais e outros aspectos da globalização. O endereço do site dela é http://www.womensgroup.org.

Nota adicional: Este artigo é especialmente importante, pois detalha as ações significativas que estão sendo tomadas pelo Banco de Compensações Internacionais em sua busca para se tornar o regulador bancário global — aquele que dá as cartas nas questões bancárias. Pedimos que você separe um tempo para ler e contemplar a mensagem; sugerimos que mantenha este conhecimento por perto à medida que a crise econômica continuar a se desdobrar. Se você separar um tempo para considerar seriamente o que Joan Veon reporta aqui, estará quilômetros à frente em termos de conhecimento e compreensão.
Após ler os dois artigos nesta edição da FC, recomendamos que você também leia o relatório "O Sistema Financeiro Internacional — Parte 3: O Banco de Compensações Internacionais", escrito por Patrick Wood, da August Review. Esse relatório apresenta uma excelente visão geral sobre o sistema do BIS e é um complemento perfeito para o artigo de Joan Veon.

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Parte 1 - A Globalização da Estrutura Regulatória e Bancária Mundial
Autora: Joan Veon

Basileia, Suíça — A base de poder do mundo mudou... ela não está mais em Londres, Nova York, Washington ou Tóquio. Também não está em Pequim ou em Moscou. Está em Basileia, na Suíça. Em 1930, o Banco de Compensações Internacionais (BIS, de Bank for International Settlements) foi fundado como resultado do Plano Young, assim nomeado em homenagem ao homem que presidia o Comitê de Reparação dos Aliados, Owen D. Young.

Basileia foi escolhida como local porque todos poderiam chegar ali de trem a partir de qualquer parte da Europa para participar dos encontros. Quando você sai da estação de trem principal, o BIS está a uma distância de apenas um quarteirão. O moderno edifício de 18 andares esconde o poder que se estende globalmente. Não há nada no edifício que chame a atenção, exceto uma placa perto das portas frontais de vidro que basicamente diz que aquela é uma propriedade privada. Pessoas poderosas e influentes de todo o mundo entram no edifício do BIS discretamente e são distinguidas dos cidadãos comuns por seus ternos sociais e crachás de identificação.

Todavia, dentro daquele edifício, o sistema monetário mundial está sendo desenhado e dirigido por muitas pessoas iluminadas e brilhantes. Aqueles que visitam regularmente vêm de todas as partes do mundo e incluem: Ministros de Estado, presidentes de bancos centrais, Secretários do Tesouro, membros de agências reguladoras, superintendentes de seguros, garantidores de depósitos e contadores. Verdadeiramente, o BIS é muito poderoso. O Dr. Carroll Quigley, em seu livro Tragedy and Hope, escreveu:

"Os poderes do capitalismo financeiro tinham outro objetivo de longo alcance, nada menos que criar um sistema mundial de controle financeiro em mãos privadas capaz de dominar o sistema político de cada país e a economia do mundo como um todo. Esse sistema seria controlado de forma feudal pelos bancos centrais do mundo agindo em concerto, por acordos secretos, realizados nos encontros e conferências frequentes. O ápice seria o Banco de Compensações Internacionais, sediado em Basileia, na Suíça. (pág. 324-25).

Se esse poder não era evidente antes, ele está no processo de se tornar maior e mais imenso. Embora o BIS sempre tenha sido o ponto focal da atividade dos bancos centrais globalmente, ele agora está finalizando a estrutura sobre a qual o professor Quigley escreveu.

A cada dois meses, o Grupo dos Dez presidentes de bancos centrais, junto com os presidentes dos bancos centrais das principais nações em desenvolvimento, se reúnem para discutir a política monetária global, entre outras coisas. Ao longo dos anos, a discussão se expandiu até o ponto em que todos os aspectos dos bancos, finanças, seguradoras, seguros de depósitos e regulamentações agora constituem os trabalhos principais.

Em meados dos anos 1990s, a palavra "globalização" entrou em nosso vocabulário quando foi necessário nomear o processo por meio do qual as barreiras entre os países do mundo começavam a cair. Iniciando com a formação do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial em 1944, as barreiras financeiras entre os países caíram; com a criação das Nações Unidas em 1945, as barreiras políticas caíram; com o estabelecimento da Organização Mundial do Comércio em 1994, as barreiras comerciais caíram; com o estabelecimento da Corte Internacional de Justiça em 1998, as barreiras jurídicas caíram; e com os ataques de 11 de setembro de 2001 contra o World Trade Center, as barreiras militares e de inteligência caíram.
Similarmente, durante os anos 1990s, o Banco de Compensações Internacionais começou a definir seu próprio nível de globalização. Considere as seguintes agências criadas e administradas pelo BIS:
Em 1998, a Associação Internacional das Superintendências de Seguros foi formada e é constituída por superintendências de todo o mundo.

Em 1999, o Fórum de Estabilidade Financeira foi criado, constituído pelos secretários de Tesouro, banqueiros centrais e presidentes de agências reguladoras dos países do G-7. Recentemente, essa organização foi expandida para incluir também os países do G-20.

Em seguida, em 2002, a Associação Internacional das Seguradoras de Depósito foi formada. Essa organização é constituída por empresas seguradoras que garantem os depósitos nas contas correntes.
Outra organização que foi formada em 1973 e depois reconfigurada em 1984 é a Organização Internacional das Comissões de Valores Mobiliários (IOSCO, de International Organization of Security Commissions), que é basicamente uma Comissão de Valores Mobiliários global que facilita uma Bolsa de Valores global.
O que a Crise de Crédito de 2008 forneceu é uma oportunidade para a maior expansão e fortalecimento dessas organizações que irão e estão no processo de transferir as respectivas responsabilidades do nível nacional para o nível global, assim completando o processo da globalização bancária, das seguradoras, da auditoria, a contábil e a regulatória. Deve ser mencionado que para os Estados Unidos exercerem seu papel nesse processo, o governo Obama terá de criar uma única agência reguladora nacional sobre os sete diferentes reguladores diferentes que hoje trabalham de forma independente. Este passo é tão importante que o jornal Financial Times publicou um editorial, em 20 de junho, que advertiu os EUA:

"A necessidade de uma completa reforma regulatória ainda é urgente. Uma preocupação se destaca: o risco de todo o sistema financeiro quebrar, como ocorreu no outono passado. Aqueles que querem dar aos bancos centrais o poder e responsabilidade de monitorar os riscos sistêmicos estão certos. Eles incluem o Tesouro dos EUA, cujas propostas nesta semana procuram transformar a Reserva Federal em um super-regulador sistêmico. Essas propostas estão sendo contestadas. Elas não deveriam ser; as alternativas são piores. As reformas para colocar rédeas e controlar o risco sistêmico não devem se tornar reféns da política. Elas precisam ser implementadas antes que a memória do outono passado caia no esquecimento."
Vamos examinar o que o primeiro parágrafo do 79º Relatório Anual do Banco de Compensações Internacionais diz com relação à crise do crédito:

"Como isto pôde acontecer? Ninguém imaginava que o sistema financeiro pudesse entrar em colapso. Salvaguardas suficientes tinham sido implementadas. Havia uma rede de segurança: bancos centrais que emprestariam quando necessário, seguro para os depositantes e proteções para os investidores, o que liberava os indivíduos das preocupações com a segurança das suas riquezas; reguladores e superintendentes atentos às instituições individuais para evitar que os gerentes e proprietários incorressem em riscos altos demais. Desde agosto de 2007, o sistema financeiro experimentou uma sequência de falhas críticas."
Embora forneça sua avaliação sobre o que aconteceu de errado, o relatório resume o problema e a solução da seguinte forma:

"Em resumo, os reguladores financeiros, as autoridades fiscais e os banqueiros centrais enfrentam enormes riscos. Construir um sistema financeiro perfeito e protegido contra falhas — um sistema capaz de manter seu estado normal de operações no caso de uma falha — é impossível. No caminho estão a inovação e os limites da compreensão humana, especialmente com relação à complexidade do mundo financeiro descentralizado. Não temos escolha, senão aceitar o desafio de primeiro reparar e depois reformar o sistema financeiro internacional."

As recomendações deles incluem os comitês normativos do BIS (o Comitê da Basileia Sobre Supervisão Bancária, o Fórum de Governança dos Bancos Centrais, o Comitê Sobre Sistemas de Pagamento e de Compensações, e o Comitê dos Mercados) e a Junta de Estabilidade Financeira. Para nossos propósitos, discutiremos o poder recém-centralizado da Junta de Estabilidade Financeira.
Primeiro, deve ser observado que com esse tipo de falha econômica e monetária total, o sistema inteiro deveria ser descartado e talvez devêssemos voltar a ser Estados-nações individuais. Mas, para seus propósitos, eles estão expandindo e fortalecendo outro nível de controle que moverá os ativos de todo o mundo para dentro do domínio deles. Sem guerra física, sem armas, sem tiros — guerra financeira eletrônica.

A Junta de Estabilidade Financeira era originalmente o Fórum de Estabilidade Financeira. Quando ele foi criado em 1999, entrevistei seu secretário-geral, Svein Andersen, que me disse que não havia garantia que o fórum seria capaz de proteger o sistema global de problemas. Entretanto, acreditava-se que se você colocasse juntos os presidentes de bancos centrais, os Secretários do Tesouro e os presidentes das agências reguladoras dos países do G-7, isso forneceria uma estrutura para proteger o sistema financeiro global.

Obviamente, eles fracassaram em sua missão. A alternativa, em vez de dar fim ao Fórum de Estabilidade Financeira, foi expandi-lo e fortalecê-lo. Quando perguntei a Mario Draghi, o presidente da Junta de Estabilidade Financeira, sobre o papel e participação dos banqueiros internacionais, como Sir Evelyn de Rothschild, ele me respondeu:

"Estamos em contato com várias associações de banqueiros e associações do mercado — bancos, fundos de Hedge, fóruns de títulos e muitos outros organismos. Vemos o que eles fazem e então tomamos uma decisão. Assim, é um contexto interessante, mas no fim, no nosso fórum temos os reguladores — reguladores bancários, reguladores do mercados, ministros das finanças, organizações e instituições internacionais normatizadoras. Portanto, no fim, é para nossa própria cabeça que temos de olhar."
É importante observar que a internacionalização ou globalização do sistema financeiro está aqui. Ela representa a derrubada da barreira final entre os países do mundo. Ela já está quase totalmente operacional há pelo menos dez anos. Neste ponto do jogo, a integração entre algumas das organizações internacionais está aparente.

A necessidade de coordenar a contabilidade internacional por meio da Junta Internacional de Normas Contábeis com a correspondente americana, a Financial Accounting Standards Board (FASB) com a Junta de Estabilidade Financeira e o G-20 — já está acontecendo. A Associação Internacional das Comissões de Valores Mobiliários (IOSCO) está trabalhando com o Fórum Conjunto e a Junta de Estabilidade Financeira do BIS.

De modo a desenvolver normas internacionais de alta qualidade para auditoria, seguros, ética e educação para os contadores profissionais, o Grupo de Monitoração foi formado e uma Carta de Constituição foi adotada em 2008 pelo Memorando de Entendimento. Entre os participantes estão: a IOSCO, o Comitê da Basileia Sobre Supervisão Bancária, a Comissão Europeia, a Associação Internacional das Superintendências de Seguros, o Banco Mundial, a Junta de Estabilidade Financeira e o Foro Internacional dos Reguladores de Auditoria Independente.

Existem tantos grupos de trabalho que agora formam um novo nível de supervisão regulatória operando internacionalmente que é quase impossível voltar atrás e recuperar o poder dos Estados-nações individuais. A quantidade e a supervisão exercida por esses grupos fariam sua cabeça girar.
Podemos voltar atrás? Qualquer país que se atrever a dizer não a eles será completamente destruído — apenas observe o que aconteceu com os cinco países asiáticos que decidiram dizer não ao Acordo Sobre Serviços Financeiros, da Organização Mundial do Comércio, em meados dos anos 1990s. A Junta de Estabilidade Financeira é que está agora sendo fortalecida para se tornar as "Nações Unidas do Controle Financeiro e Regulatório" sobre os países.

Para saber mais sobre o BIS, leia: O Sistema Financeiro Global — Parte 3: O Banco de Compensações Internacionais

Continua....


Fonte:
Espada

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