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Pesticidas podem causar o nascimento de mais machos que fêmeas

Um estudo divulgado na revista especializada Plos One indica que o uso de pesticidas químicos tem impacto que se estende por diversas gerações. Segundo os cientistas, o uso de veneno fez ainda com que a chamada mosca-d'água fosse mais propícia a reproduzir machos do que fêmeas.

"Este trabalho dá suporte à hipótese de que a exposição a alguns químicos ambientais durante períodos sensíveis do desenvolvimento pode provocar significantes danos à saúde aos organismos mais tarde em sua vida - e afetar sua prole e, possivelmente, a prole da prole", diz Gerald LeBlanc, professor da Universidade do Estado da Carolina do Norte (EUA), líder do estudo. "Nós procurávamos por um organismo modelo, identificamos um importante caminho ambiental para a determinação do sexo e descobrimos que os químicos podem invadir esse caminho."

Os pesquisadores já haviam identificado anteriormente um hormônio chamado de metil farnesoato que as moscas Daphnia produzem sob certas condições ambientais. Eles descobriram agora que a substância se une a um receptor que pode regular a transcrição do gene e parece estar ligado à produção da prole masculina.

Em experimentos, os cientistas exporam as moscas a variados níveis do inseticida pyriproxyfen, que imita o hormônio. O resultado foi que os insetos tiveram uma prole menor, mas de maioria masculina. Quanto maior a dose, maior o resultado, até que apenas machos nasciam.

Mesmo uma dose pequena tinham grandes efeitos. As poucas fêmeas que nasciam apresentavam problemas de reprodução, mesmo que estas não tenham sido expostas diretamente ao veneno.

"Queremos agora entender especificamente quais genes estão envolvidos nesse processo de determinação do sexo", diz LeBlanc. "E, ecologicamente, é importante determinar o impacto das mudanças nas dinâmicas da população destas espécies. Daphnia são uma espécie-chave - uma fonte de comida importante para peixes jovens e outras espécies."

Fonte:
Terra

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