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"Guerra de moedas" monopoliza debates do G20

Governantes discutem guerra das moedas em reunião do G-20 (Foto: Agência EFE)

Para a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, discussão não tem fundamento

Lagarde, que fez estas declarações após se reunir com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, antes da reunião de ministros de Finanças e chefes de bancos centrais do G20, ressaltou que a atual cotação das diversas divisas reflete seu valor real.

"Recentemente o euro se valorizou, e o iene perdeu força, mas isso aconteceu como resultado de acertadas medidas políticas adotadas pela Europa e pela suavização da política monetária e creditícia no Japão", disse Lagarde. "Parabenizamos os passos dados pelos governos desses países", acrescentou.

Na mesma linha, o secretário-geral da OCDE, José Ángel Gurría, negou que esteja ocorrendo uma guerra monetária".

A "guerra de moedas" foi o grande destaque desta sexta-feira (15/02) nos debates da reunião ministerial do G20 em Moscou, nos quais tanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) como a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) defenderam a postura do Japão sobre a desvalorização do iene.

"O atual debate sobre a 'guerra de moedas' não tem fundamento", afirmou a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde.

"Atualmente, a ameaça de uma 'guerra de divisas' é menor que há dois ou três anos. Não acredito que devamos continuar ressuscitando guerras que já terminaram. Vamos pensar no futuro, sobre o aumento da produtividade e da competitividade", disse ele em entrevista coletiva.

Gurría destacou que o Japão, que recebeu uma enxurrada de críticas por sua política monetária expansiva para estimular suas exportações, provocando a desvalorização do iene, está em deflação há dez anos.

"Sim, o iene se desvaloriza por isso, mas não porque eles manipulam a cotação da moeda nacional. O Japão utiliza os instrumentos da política econômica não só para enfraquecer sua moeda, mas para conseguir crescimento", especificou.

Já o ministro de Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, voltou hoje a advertir sobre os riscos de uma eventual "guerra de divisas" entre as principais economias.

"Não queremos intervenções estatais na taxa de câmbio, mas uma taxa de câmbio guiada pelo mercado", declarou ele a uma emissora de rádio alemã.

Apesar de desde novembro o iene ter se desvalorizado 25% e 17% em relação ao euro e ao dólar, respectivamente, o minsitro de Finanças do Japão, Taro Aso, refutou as críticas de seus parceiros comerciais.

Por sua vez, o ministro de Finanças da Rússia, Anton Siluanov, expressou sua confiança de que no comunicado final, que será finalizado amanhã, seus colegas proporão que o mercado continue a determinar as cotações das moedas, mas acredita que não haverá qualquer tipo de crítica mais aguda a Tóquio.

Siluanov pediu aos participantes do encontro que voltem suas atenções à agenda oficial da reunião ministerial do G20 que deve apresentar as propostas a serem debatidas na cúpula de 5 e 6 de setembro em São Petersburgo (Rússia).

A respeito, Putin opinou que é prioritário abordar o problema do desenvolvimento dos mercados de capitais, os instrumentos de financiamento dos investimentos e a regulação do setor financeiro.

"A desconfiança dos investidores reside principalmente nos erros do sistema anterior de regulação", afirmou o presidente russo, alertando que estes não arriscarão seu dinheiro se não houver condições que previnam novas crises.

Putin alertou que a dívida já supera o volume do Produto Interno Bruto nos países desenvolvidos, e afirmou que a única forma de recuperar a confiança é com políticas transparentes de gestão da dívida e do déficit fiscal.

Em relação à crise, o chefe do Kremlin se mostrou otimista e parafraseou o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, que ressaltou que "a pior fase da crise já passou".

Putin, que recebeu os ministros no Kremlin, considera que os países-membros do grupo devem juntar forças para expor novas medidas para estimular o crescimento, a criação de postos de trabalho e os investimentos.

O presidente russo também desafiou o grupo a apresentar políticas a longo prazo que tirem a economia mundial da estagnação e a levem ao crescimento estável, embora sempre com os pés no chão e com olhar voltado às condições sociais de cada país.

Fonte :Globo

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