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Série:Perigos em Desenhos Animados parte 3: desenhos e o nazismo

Durante a segunda guerra mundial os personagens de Walt Disney foram utilizados massivamente em promoções contra o nazismo, em episódios bem humorados, mas que, quando vistos por crianças poderiam gerar reações contrárias às reais intenções e até mesmo incentivar a prática de crimes e a segregação racial.

Desenhos animados como Popeye, Pato Donald, Branca de Neve e os Sete Anões e curtas metragens da Disney, Looney Tunes e Hanna Barbera já serviram para fins que negam a ingenuidade natural desses personagens, como promoções de guerra, venda de cigarros, preconceito racial, apologia às drogas e ao sexo.

Walt Disney desejava defender os Estados Unidos. Tentou na 1ª Guerra, mas era menor de idade e só conseguiu um posto de piloto de ambulância da Cruz Vermelha depois que o conflito acabou, em 1918. Quando a 2ª Guerra chegou, em 1939, ele já era um artista conhecido e renomado - Branca de Neve e os Sete Anões, seu primeiro longa-metragem de animação, é de 1937. Usou seu talento na produção de filmes de treinamento e propaganda. Zé Carioca, o personagem brasileiro criado por ele também, é um filho do esforço de guerra e da política de boa vizinhança americanos. Entre 1942 e 1945, Disney produziu mais de 68 horas de animação de caráter patriótico. A importância do animador para as Forças Armadas dos EUA pode ser medida de forma simbólica. A senha para a maior operação americana na 2ª Guerra, o Dia D, foi Mickey Mouse.

A participação de Disney no esforço de guerra incluía a produção de filmes de treinamento militar, de propaganda e educação para o público americano - e de libelos antinazistas. Mas não só isso. Seus desenhistas criaram mais de mil insígnias usadas por divisões das Forças Armadas. As ações dos estúdios Disney "foram uma das principais bombas que os exércitos aliados lançaram contra seus inimigos", afirma Clotilde Perez, professora da Escola de Comunicação e Artes da USP. Disney, claro, não estava sozinho. Muitos outros diretores e atores de Hollywood se engajaram na luta contra os países do Eixo depois de Pearl Harbor. Mas era difícil concorrer em popularidade - e em volume de produção - com o pai de Mickey Mouse.

O envolvimento entre Disney e o governo começou antes da entrada dos EUA na guerra. Em busca de novos mercados - mas principalmente de aliados estáveis no continente -, o presidente Franklin Roosevelt criou a chamada "política da boa vizinhança". O responsável pelo programa era o milionário Nelson Rockefeller, que alertara o presidente sobre a influência nazista na América Latina. Em agosto de 1941, Disney estava ao lado do enfant terrible Orson Welles em terras brasileiras. Welles havia acabado de lançar Cidadão Kane. Por aqui, filmou jangadeiros, investiu num roteiro sobre um garoto e seu touro, tentou um documentário chamado É Tudo Verdade... E a verdade é que nada deu certo. Ao contrário de Disney. No Rio de Janeiro, inspirado pela natureza e, dizem, pelas piadas de papagaio, criou Zé Carioca - o tipinho folgado, de guarda-chuva e gravata-borboleta, que atazanaria o Pato Donald em Alô, Amigos, de 1943.

A partir de 1942, com os EUA no front, Disney engajou-se de vez. Seus estúdios foram transformados em alojamentos e centenas de militares passaram a residir ali. Marinha, Aeronáutica e Exército requisitavam a todo momento a presença do artista para colaborar com as ações de combate. Inspirados pelos oficiais, os personagens de Disney também foram para as trincheiras. Pato Donald estrelou um filme em que mostrava aos cidadãos americanos a importância de pagar em dia os impostos. Era o dinheiro do contribuinte que financiava as atividades bélicas além-mar. Nos aviões, navios, hospitais e ambulâncias, a turma do Mickey desfilava tentando elevar a autoestima da nação. Em um dos curtas metragens, Out of the Frying Pan into the Firing Line, (Saindo da Frigideira para a Linha de Tiro), Minnie, de saia azul, avental, sapatos de salto alto vermelhos e laçarote na cabeça, está preparando ovos com bacon. Na parede, uma foto de Mickey, de farda, transcende otimismo (é a única imagem em toda a história do rato em uniforme militar). Ela está prestes a despejar gordura sobre a ração de Pluto quando o locutor de rádio interrompe a ação com um alerta às donas de casa: quem desperdiça o resto da gordura da cozinha está favorecendo os exércitos inimigos. E não é por elevar o colesterol das tropas nacionais. Minnie deve saber que a mesma gordura serve também para fazer munição. O locutor explica que se deve depositar o óleo usado em uma vasilha e congelá-lo. Quando o pote estiver cheio, um açougue identificado por um selo do governo trocará a gordura por dinheiro.

Com Minnie como protagonista, o desenho, de 3 minutos, molda ações e atitudes dentro do território americano: aqui, as donas de casa devem guardar a gordura que sobra das frituras, útil para a indústria de munição.

Nos meses seguintes as produções se sucederam. Em Victory Through Air Power (Vitória por Meio do Poder Aéreo), de 1943, a propaganda sutil dá lugar a um manual de como vencer o Japão por meio de bombardeios. Baseado no livro do major Alexander P. Seversky, o filme mistura desenhos e imagens para mostrar como a aviação transforma o poderio bélico e o rumo das guerras. Os traços típicos das superproduções Disney prestam-se a detalhar como é a melhor forma de bombardear países inimigos. O filme retrata a expansão das tropas de Hitler pela Europa e o ataque da Marinha japonesa à base de Pearl Harbor. Seversky ensina estratégias de de ataque, mostra mapas e projetos para bombardear indústrias bélicas do Eixo. Ele evidencia o caminho da vitória: investir em bombardeios aéreos em solo japonês. Ninguém sabia ainda que, em agosto de 1945, o país da Disneylândia lançaria bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki.

O ponto alto das animações de propaganda de Disney são os filmes contra o nazismo. Num deles, Der Führer's Face (A Face do Führer), de 1943, Donald é funcionário de uma fábrica de munições na Alemanha e é ameaçado de morte a qualquer sinal de cansaço - e devidamente vestido de nazista.

 Em The Hitler's Children - Education for Death (As Crianças de Hitler - Educação para a Morte), o pequeno Hans é acompanhado desde o nascimento até se tornar um nazista fanático quando jovem. Numa das sequências que parodia a lenda da Bela Adormecida (que o próprio Disney lançaria só em 1959), Hitler é um príncipe medieval que salva a donzela Alemanha da bruxa Democracia. Ao longo do filme, a Bíblia se transforma em Mein Kampf e o crucifixo cristão dá lugar à suástica - mais direto, impossível.

Na maioria dos casos, os desenhos ridicularizavam os inimigos , tratando-os como idiotas, débis e manipuláveis. O maior alvo eram os japoneses.

Existem histórias de que os criadores dos estúdios Disney chegaram a ser convocados para desenhar insígnias de unidades e equipamentos militares.




As Crianças de Hitler

A Disney produziu um desenho animado que retratava como ocorria o aliciamento de novos integrantes para o exército alemão. Cenas que foram ao ar no clássico “As Crianças de Hitler”, onde mostra como se forma um nazista desde seu nascimento a comprovação se realmente são arianos, a recusa do registro com nome judeu, e após o registro, a educação seguindo os ensinamentos do livro Mein Kampf (escrito por Adolf Hitler).

O protagonista aqui é um menino alemão, Hans, que Disney usa para falar da lavagem cerebral nazista. Quando seus pais vão registrá-lo, há uma lista de nomes proibidos, como Franklin e Winston (referencia ao presidente americano e ao primeiro-ministro britânico). Na escola, ele fica de castigo por defender uma lebre numa fábula em que o bicho é comido por uma raposa.

Militares americanos assistiram ao desenho e perceberam associações de personagens que são símbolos de pureza e bravura, dando a idéia de que todos os alemães eram educados como nazistas e favoráveis ao regime, indo contra a realidade de uma Alemanha também formada por judeus que passavam por perseguição, sofrimento e tortura.

A constatação fez com que a própria Disney apreendesse as cópias do filme e as destruíssem.



Popeye: preconceito contra os japoneses

Em “Popeye - You're A Sap, Mr. Jap”, de 1942, dos estúdios estúdios Fleisher foi apresentado um marinheiro Popeye que tem preconceito contra os japoneses. A animação foi lançada durante o período da II Guerra Mundial e mostra uma visão negativa e estereotipada dos japoneses, com destaque para caricaturas de alemães, entre eles Adolph Hitler.

No desenho, Popeye navega pelo Oceano Pacífico em um barco pequeno, quando entra em atrito com japonese que navegam em um barco maior. O grande ponto desse filme é a forma como os orientais falam e pronunciam as palavras.




Com o final da guerra muitos desses trabalhos foram recolhidos e deixaram de serem exibidos. Outros foram avaliados pelo Código Hays e proibidos.

O Código de produção cinematográfica não afetou apenas os filmes sobre a guerra de Disney, ele já era aplicado anteriormente a esse período, provocando a censura em curtas metragens da Betty Boop, Flinstones, Popeye, entre outros.

Semelhante à censura, o código determinou uma série de regras que restringiam a exibição de conteúdos nas emissoras americanas.

A regra foi criada pela associação dos produtores de filmes dos Estados Unidos (MPAA) considerando o que poderia ser moralmente aceitável. Sua redação foi assinada pelo líder do Partido Republicano William H. Hays. Passou a ser aplicado em 1934 e vigorou até 1967, quando foi substituído ao sistema Avaliação da idade da MPAA.

Uma das maiores vítimas do código foi a personagem Betty Boop, que teve vários curtas metragens proibidos devido à nudez, violência e apologia ao consumo de drogas.

A proibição das exibições e o banimento de produções aconteceram em um período onde o preconceito afetava o mercado da animação, para a comunidade desenhos animados tinham como público único as crianças, adultos não eram pegos prestigiando esse tipo de arte e por essa razão era necessário regrar a exibição e o conteúdo que integrariam a programação das emissoras.

O código possuía três "princípios gerais":

1. Não autorizar qualquer filme que pode reduzir o nível moral dos espectadores. Nunca conduzir o espectador a tomar uma posição para o crime, o mal ou pecado.

2. As formas de vida descritas no filme serão corretas, tendo em conta as necessidades específicas de drama e de entretenimento.

3. A lei, natural ou humana, não deve ser ridicularizada e simpatia do público não vai para aqueles que violam.

E aplicava as seguintes restrições nos casos de:

• A técnica de assassinato deve ser apresentada de modo a não provocar imitação. Não é mostrar os detalhes de assassinatos brutais. Vingança, hoje em dia, não se justifica. Os métodos dos criminosos não devem ser apresentados de forma precisa.

• O contrabando de drogas e seu uso não serão exibidos em qualquer filme. Fora a exigência do enredo e da imagem das personagens não pode dar origem ao álcool na vida americana.
• A sacralidade da instituição do casamento e do lar será mantida. Os filmes não vão assumir grosseiras formas de sexo como comuns e as aceitar. Adultério e comportamento sexual ilícito de tudo, por vezes, necessário para a trama não devem ser muito precisas de demonstração ou ser justificada, ou apresentada de uma aparência atraente.

• Cenas de paixão não devem ser feitas para a trama, a menos que eles são indispensáveis. Nenhuns beijos ou abraços exibida serão exibidos em devassa excessiva, com poses e gestos sugestivos.
• A blasfêmia intencional e profano ou vulgar qualquer fim é proibida em todas as suas formas. O caráter de Cristo deve ser tratado com respeito. Cristo não é um assunto para a comédia.
• A mostra de corpo são proibidos. O umbigo também.


• Os trajes dos movimentos de dança e exposições inconvenientes indecente durante a dança são proibidos. Danças ou sugerindo que representam ações ou paixões sexuais indecentes são proibidos.

Fontes:
Ogritonoticias , Guiadoestudante

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