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Venda de acesso ao arquivo do Twitter origina preocupações com privacidade

O Twitter arquitetou uma nova fonte de rendimento: vender o acesso ao seu arquivo a empresas que pretendam desenhar campanhas de marketing à medida dos utilizadores daquela rede de microblogging, para seleccionar os mais influentes e até tentar prever certos eventos online. A questão da privacidade é a primeira a ser levantada.

Até agora, as empresas que quisessem fazer um estudo de mercado no Twitter podiam apenas trabalhar com um histórico de 30 dias (os utilizadores normais tinham acesso limitado aos tweets dos últimos sete dias). O que os responsáveis pelo Twitter se propõem fazer é vender o acesso ao conteúdo partilhado na rede ao longo de um período de dois anos.

A britânica Datasift, empresa que trata e distribui grandes quantidades de informação, é a primeira parceira nesta acção comercial. É à Datasift que as empresas pagarão pelo acesso ao conjunto de informações já coligidas e tratadas, a um preço que dependerá do tamanho do cliente. O mais baixo, para clientes individuais, será de 635 libras (749 euros). O Twitter receberá uma taxa de licenciamento.

Na Datasift, o entusiasmo com o projeto é claro. “Nunca ninguém fez isto antes”, disse à BBC o director de marketing da empresa, Tim Barker. “É um serviço completamente novo que estamos a trazer – é um enorme desafio tecnológico devido à quantidade de informação que é bombeada cá para fora todos os dias [250 milhões de tweets por dia].”

Tim Barker assegura que a procura por este serviço é muita, com uma lista de espera de quase um milhar de empresas. São empresas que esperam encontrar nestes dados, depois de tratados, informações como o tom “positivo” ou “negativo” com que os utilizadores da rede estão a falar sobre certos assuntos.

Os tweets apagados ou de contas privadas não entrarão nesta contabilidade. O que não basta para o director executivo da Privacy International, Gus Hosein, dormir descansado. “As pessoas têm usado o Twitter para comunicar com amigos e redes de contactos acreditando que os seus tweets vão rapidamente desaparecer no éter”, sublinhou, também à BBC.

“O fato de dois anos de tweets puderem agora ser usados para obter informações e retirar ‘percepções‘ para as negociar é uma mudança radical na direcção errada. O Twitter transformou uma rede social que tinha por objectivo promover uma conversa global em tempo real num vasto empreendimento de estudo de mercado com participantes sem vontade de colaborar, sem serem pagos”, disse o responsável da organização com sede em Londres.


 

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